“É PRECISO UMA ALDEIA INTEIRA PARA EDUCAR UMA CRIANÇA” (provérbio africano) por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

A sociedade ficou chocada com a morte de estudantes na praia do Meco.

Muito se tem falado da Praxe estudantil.

Faz-me confusão haver um estatuto para o aluno do ensino não superior em que os castigos podem levar até à expulsão, e não haver nada que regule o comportamento do aluno do ensino superior (haverá e eu desconheço, e até à data em que escrevo este texto ainda não vi ninguém referir).

Conheço a história de vida de um aluno do 1º ano de escolaridade que na primeira semana de aulas também resolveu “praxar os colegas”. Resultado: a polícia foi à escola, a família foi chamada e o menino foi suspenso três dias. Foi bom? Foi mau?

Em qualquer sítio o agressor tem que ser castigado conforme as consequências da sua agressão. Os alunos do ensino não superior quando saem das aulas vão em bandos dentro dos autocarros agredindo quem lá está com palavras, gestos e atitudes. As pessoas olham umas para as outras e encolhem os ombros e algumas dizem “é isto que te ensinam na escola?” Por vezes, é o motorista do autocarro que impõe a ordem.

À medida que as crianças se vão tornando adolescentes é natural que queiram desafiar a autoridade dos professores, dos adultos em geral.

Mas onde está essa autoridade…quanto menos autoridade maior é o desafio… ( não confundir autoridade com autoritarismo)

Todos nos perguntamos porquê e chegamos a conclusões inconclusivas. Começamos por dizer que o porquê está em casa, na televisão, nos jogos violentos, na especulação até à exaustão, nos meios de comunicação social, de todo o crime.

Atiram-se números para o ar “em quinze dias mataram três mulheres, cinco crianças foram hospitalizadas vítimas de maus tratos, a Polícia teve que intervir numa escola, um estudante diz que quer matar sessenta pessoas….”.

Devemos conhecer a realidade em que vivemos, por isso, todos devemos dar o contra ponto a estas notícias, a estas inquietações. Em casa, na escola, na televisão, os produtores de jogos para computadores, os filmes que deliciam as crianças, mas que estão cheios de mensagens agressivas.

Dizer “olha, olha o que ele fez…foram sete facadas, não, não foram dez…”é uma cobardia de quem não quer mudar a sociedade.

É preciso explicar, vivenciar que nada justifica a violência, não importa a maneira como é exercida. É violência tudo o que faz o outro sofrer e ponto final.

É contranatura um adolescente suicidar-se, então porque se suicidam? É preciso estar atento aos primeiros sinais de mudança de comportamento e não é criticando, especulando que se “olha” para um adolescente.

A vida em sociedade não é fácil, há muitas conexões entre todos os indivíduos, acontecimentos, culturas, comportamentos aceites por uns e rejeitados por outros. Há que saber encontrar o equilíbrio.

O que tem passado na televisão sobre as Praxes dos estudantes do ensino superior é violência e humilhação.

Serão todas as praxes assim? Claro que não, e porque não se mostram Praxes que são o contraponto destas? Não é notícia de jornal, ninguém vai querer saber o que os estudantes fazem aos caloiros se forem actos culturais, se forem visitas guiadas à cidade que os acolhe.

Os estudantes universitários são os nossos alunos que fizeram a escolaridade obrigatória até ao 12º ano, movem-se perante regras para que os seus comportamentos não sejam pautados pela violência nem pela humilhação, há conselhos disciplinares, há apoios e há sanções.

Ora se tudo isto acontece, será porque naquela semana da Praxe não há regras e as que há são feitas pelos alunos, não para provocar conscientemente esta violência, mas porque a violência está socialmente banalizada?

“É preciso uma aldeia inteira para se educar uma criança” (provérbio africano)

One comment

  1. Maria de sa

    Altos interesses coabitam com os estatutos dos estudantes-quando interesses escusos ,as tticas so multiformes -postei no meu face -Maria

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