VOLTA AO MUNDO – por Fernando Correia da Silva

cafe

Em 1513, em busca de especiarias, diariamente arribam a Lisboa navios mercantes de toda a Europa. Ainda em 1513 o arquiteto Boitaca continua a edificar o Mosteiro dos Jerónimos. Também em 1513 Fernão de Magalhães regressa à capital do Império. Passou nove anos a batalhar pela Coroa portuguesa em terras do Oriente: Sofala, Cananor, Diu e Malaca. Das muitas riquezas que conquistou, pouco lhe coube: algumas moedas d’ouro e um escravo pardo que mandou batizar com o nome de Henrique. Fidalgo menor, tem porém direito a frequentar o Paço. Pela sua carreira militar também tem direito a pensão. São-lhe atribuídos 1850 reais mensais. Acha pouco. Por isso parte para Marrocos em nova incursão comandada pelo Duque de Bragança. Em Azamor sofre lançada no joelho que o deixa mutilado. Retorna a Lisboa. Coxeando, em 1514 apresenta-se a Sua Majestade. Exige que a sua tença seja aumentada de 100 reais, apenas mais 100 reais… Há intrigas e El-rei recusa. Magalhães exige depois o comando de uma nau para a Índia. El-rei volta a negar. Não atende a exigências mas apenas a solicitações.

– Majestade, parecer-vos-á ofensa procurar eu servir a outro monarca católico na esperança de alcançar maiores proventos ?

– Que não, que não !

El-rei D. Manuel despede aquele guerreiro altivo, sempre vestido de preto, arrogância, solidão, qualquer coisa de tigrino.

Arrastando a perna por entre as colunas de mármore, lá vai o homem que irá promover a primeira volta ao mundo…

Leave a Reply