Cidade – luz, sombra e palavras – 10 – Praga – fotografias por Fábio Roque

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Praga - ISe recordarmos que a Europa vai até aos Montes Urais, verificamos que Praga fica bem no seu centro. Fica a 280 quilómetros a sudeste de Berlim e 260 a noroeste de Viena, e muito mais perto de Paris do que de Moscovo. É banhada pelo rio Vltava (os alemães chamam-lhe Moldau), que conflui com o Elba, um dos principais rios da Alemanha. Praga existe como cidade desde o século IX, mas já muito anteriormente que era um importante centro de passagem e de comércio. É sem dúvida o centro principal da Boémia, região hoje integrada na República Checa. Ao longo da história passou por inúmeras vicissitudes, tendo chegado a ser sede do Sacro Império Romano-Germânico, com Carlos IV do Luxemburgo (1316 – 1378), fundador da Universidade de Praga (1348), a primeira da Europa Central, e que mandou construir a ponte Charles, a principal da cidade. Em Praga estudou Jan Hus, pensador precursor do movimento protestante, que seria queimado vivo  após o concílio de Constança. Alternando com períodos de prosperidade e desenvolvimento, seguiram-se longas guerras religiosas, que culminaram na Guerra dos Trinta Anos, já no século XVII. Consolidou-se assim o domínio das Habsburgos, que haveria de durar praticamente até ao século XX. Praga, nos seus monumentos e outras memórias, está marcada pelas lutas religiosas, e pela resistência à expansão do Império Otomano. Hoje em dia, as recordações das duas guerras mundiais e o conflito entre o leste e o oeste são presenças constantes, que muito condicionam a vida das pessoas.

Praga - II

Um personagem marcante da literatura checa é o soldado Chveik, uma criação do escritor Jaroslav Hasek (1883 – 1823), geralmente considerada como uma personificação dos checos, tendo em conta as problemáticas a que têm estado sujeitos. O autor escreveu no prefácio da obra.  “… Podem encontrar hoje, nas ruas de Praga, um homem mal enjorcado, que ignora a importância do papel que representou na história desta magnífica época nova. Segue placidamente o seu caminho, sem incomodar ninguém nem ser incomodado pelos jornalistas, que não lhe pedem qualquer entrevista. Se o interrogassem quanto ao seu nome, responderia com o ar mais tranquilo e mais natural do mundo: “Eu sou o Chveik…“”. A tradução é de Alexandre Cabral, na edição do livro publicada em 1971 pela Europa-América. Bertolt Brecht (O Soldado Ckveik na Segunda Guerra Mundial) e outros escreveram sequelas e adaptações a esta obra.

Oiçam um trecho de Má Vlast (A Minha Terra), do compositor romântico checo Bedrich Smetana (1824 – 1884), interpretado pela Orquestra Filarmónica da Cidade de Praga.

Obrigado ao youtube e a EMH Classic Music

Vejam este link sobre “A Canção do Moldau”, adaptação que Bertolt Brecht fez da peça de Smetana:

http://www.antiwarsongs.org/canzone.php?lang=en&id=5159#agg117930

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