CAMINHAR COMO O CARANGUEJO OU EM LINHA RETA? – por António Mão de Ferro

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Enquanto uns têm muita dificuldade em viver com a incerteza, outros conseguem tirar dela boas oportunidades.

A época que atravessamos carateriza-se por ser aquela onde parece saber-se um pouco de tudo, mas em que se tem grande dificuldade em saber muito de uma ou duas coisas!

Assim enquanto uns por não dominarem as situações, se desligam delas ou as encaram com distanciamento, outros, mais afoitos, exploram oportunidades nos buracos do sistema através de estratégias bem planeadas ou de táticas ad hoc que alteram de acordo com a sucessão dos acontecimentos.

Os mais afoitos, ficam então com o caminho livre para jogarem as cartas em cima do acontecimento, aproveitando-se da ambiguidade que caracteriza a sociedade.

A falta de certezas com que as pessoas se defrontam, e a velocidade dos acontecimentos, tornam os paradoxos compreensíveis. Paga-se para dispor de máquinas que poupam as tarefas manuais. Depois pagam-se máquinas que ajudam a exercitar os músculos que ficaram inativos, em parte devido à compra das primeiras máquinas.

Muitos ficam surpreendidos com a rapidez das situações, desorientam-se com a incerteza, com os buracos das estruturas, com a ausência de finalidades. Os movimentos que conduzem a que outros aproveitem as oportunidades parecem-lhe ambíguos, laterais, semelhantes ao andar do caranguejo. Mas se tudo é difuso, como é que hão de encontrar o que pretendem em linha reta?

Andam então à volta das circunstâncias, acabam por se enredar, têm consciência de que é preciso fazer alguma coisa, mas não tomam a iniciativa de fazer o que quer que seja. Essa indecisão vai baralhando-os cada vez mais. Se não acreditam no que vêm nem têm projetos alternativos, o seu pensamento vai perdendo utilidade, e faz com que vão ficando com receio de que no futuro deixem de se bastar a si próprios.

Mas quando começarem a sentir-se a vacilar, a considerarem-se vítimas do sistema e a entrar em depressão, não há problema, pagam e outros  cuidam deles para lhes evitar o escloresamento, vendendo-lhes os tónicos e os calmantes para que se sintam bem!

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