Palhita, o toiro bravo, estava mesmo apaixonado por Olhos Mansos que, do outro lado do rio, também o olhava dum modo triste.
O vento que vinha da outra margem segredava ao ouvido de Palhita:
– Posso garantir-te, digo-te eu, que Olhos Mansos gosta de ti.
E Palhita ficava mais triste. Ele não se atrevia a ir contra a opinião da manada. O que diriam eles quando soubessem que estava apaixonado por uma simples vaca mansa…
O Tejo não compreendendo lá muito bem a causa dessa tristeza, perguntou:
– Ouve lá Palhita, por que andas tu assim tão triste? Bem sei que o vento é um bocado brincalhão, mas se ele te disse que Olhos Mansos gosta de ti, é porque gosta mesmo. E por isso eu não percebo por que não estás tu alegre.
Palhita nada disse.
Levantou-se e foi-se embora. Depois arrependeu-se, voltou para trás, cortou uma rosa, lançou-a à água e fugiu, deixando no seu lugar uma nuvem de poeira.
In PALHITA, O TOIRO

