OLHOS MANSOS – por Fernando Correia da Silva

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Palhita, o toiro bravo, estava mesmo apaixonado por Olhos Mansos que, do outro lado do rio, também o olhava dum modo triste.

O vento que vinha da outra margem segredava ao ouvido de Palhita:

– Posso garantir-te, digo-te eu, que Olhos Mansos gosta de ti.

E Palhita ficava mais triste. Ele não se atrevia a ir contra a opinião da manada. O que diriam eles quando soubessem que estava apaixonado por uma simples vaca mansa…

O Tejo não compreendendo lá muito bem a causa dessa tristeza, perguntou:

– Ouve lá Palhita, por que andas tu assim tão triste? Bem sei que o vento é um bocado brincalhão, mas se ele te disse que Olhos Mansos gosta de ti, é porque gosta mesmo. E por isso eu não percebo por que não estás tu alegre.

Palhita nada disse.

Levantou-se e foi-se embora. Depois arrependeu-se, voltou para trás, cortou uma rosa, lançou-a à água e fugiu, deixando no seu lugar uma nuvem de poeira.

                                                                                                                                                                                                In PALHITA, O TOIRO

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