POESIA AO AMANHECER – 402 – por Manuel Simões

poesiaamanhecer

JOÃO DE MELO

                                          ( 1949 )

            POEMA

             Agora eu canto a dúvida a morte a vida

            e a fé e a descrença e o mar e o olvido

            

             Com mágoa e angústia sei eu bem que lido

            tão de perto em flor em dor em despedida

 

            Digo adeus ó ano tempo água e sentimento

            que tudo em vão passa e se perde e corre

 

            Mas digo-o de pé com alma voz arco e vento

            pois já não sou quem no tempo nasce e morre

 

            Eu cá vivo de ser de amar em tudo uma causa

            um porquê de amor casa rua mulher literatura

 

            Sou deste tempo só enquanto sítio e pausa

            tal como só o amor é eterno enquanto dura

 

            Deixou-nos Vinícius o verbo amar e o Jobim

            a arte de o dizer com música E como no fim

 

            de todos os anos uma pessoa se cansa e parte

            assim eu te quero amor com vida corpo e arte

            (1994)

             (da antologia “Nove Rumores do Mar”)

 Conhecido romancista, autor dos romances, entre outros, “Autópsia de um mar de ruínas” e “Gente Feliz com Lágrimas”. Organizou a “Antologia Panorâmica do Conto Açoriano” (1978) e “Os Anos da Guerra”, 2 vols. (1988). Como poeta, parece ter publicado apenas “Navegação da Terra” (1980).

Leave a Reply