
Jornal do teatro
Teatro – poema de Sidónio Muralha
Na sala vazia sentaram-se os quatro.
E os quatro ficaram olhando, no fundo,
A mancha de luz do pequeno teatro.
─ o dono do teatro ─ um vagabundo
que trouxera o teatro do outro lado do mundo ─
por trás das cortinas puxava os cordéis …
Puxava os cordéis aos fantoches, fiéis
aos seus dedos infiéis de vagabundo.
…………………………………………………………
Dos quatro meninos, um deles voltou,
e, tanto viu, que decorou
as falinhas mansas e a maneira
invertebrada dos fantoches de feira.
De dois dos meninos ninguém mais falou,
(e o outro é Poeta e ninguém lhe perdoa…)
Mas do menino-fantoche como é bom falar…
─ porque o menino-fantoche é hoje a pessoa
mais importante do lugar.

Desconfia da tristeza de certos poetas. É uma tristeza profissional e tão suspeita como a exuberante alegria das coristas.”
Mario Quintana (poeta brasileiro – 1906-1994)
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