POESIA AO AMANHECER – 404 – por Manuel Simões carlosloures18 de Março de 201417 de Março de 2014Literatura Navegação de artigos PreviousNext URBANO BETTENCOURT (1949) CABO VERDE: UMA SEQUÊNCIA (excerto) 6. Cidade Velha (Ribeira Grande) Em verdade, em verdade vos digo que o espírito de Deus pairava não sobre as águas que de ribeira grande eram então, mas sobre o sangue dos escravos de passagem para o Mundo Novo erguido nos alicerces de uma velha humanidade. Nas altas naves da Sé, Deus perdera-se dos homens e da sua agonia, nem aí chegava o rumor das casas térreas, o prolongado uivo das mulheres amaldiçoando o futuro para sempre: «tu és pedra e de ti mesma não restará pedra sobre pedra!» Ao pelourinho faltam-lhe os braços para ser uma cruz, mas nessa ausência cumpre-se, afinal, o divino e profano sinal da carne duplamente supliciada. (da antologia “Nove Rumores do Mar”) Poeta e cronista. Adaptou para a televisão, com José Medeiros, o romance “Mau Tempo no Canal”. Da sua obra poética: “Raiz de Mágoa” (1972), “Ilhas” (1976), “Santo Amaro sobre o Mar” (2005), “Outros Nomes Outras Guerras- Antologia (2013). Share this: Share on Facebook (Opens in new window) Facebook Share on X (Opens in new window) X Share on LinkedIn (Opens in new window) LinkedIn Share on WhatsApp (Opens in new window) WhatsApp Email a link to a friend (Opens in new window) Email More Print (Opens in new window) Print Like this:Like Loading…