A razão
tamanho de todos os céus no silêncio de sonho-menino os olhos cheios de serenas manhãs na frouxa luz do fim da tarde
A razão
palavra que se prende por entre as folhas dos álamos a doce margem de um regato no sobressalto do pensamento
A razão
saber se o tempo vai se o tempo vem no calendário do sonho não dar contas ao tempo de um tempo que se não tem
A razão
semente branca da vida no fruto maduro da tarde a esperança dos olhos frios na quente ilusão de outro dia
A razão
três lágrimas vertidas na corrente do alto rio um redemoinho de pedra e água brincando à beira do abismo
A razão
coração bem apertado nos braços da solidão a felicidade cantada sem voz nova na garganta
A razão
a firmeza do vento no rio que não volta atrás…ou a leveza do luar nas margens da sombra
A razão
coração cravado na erva espantalho de emoções longos braços de palha entrelaçados de ilusões
Ilustração: Quadro de Adão Cruz

