CARTA DE VENEZA – 79 – por Sílvio Castro

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AlaIn Resnais, criador de uma nova sintaxe cinematográfica

                Desde 1949, frequentando eu o curso científico num colégio da Tijuca, fui tomado por uma grande paixão pelo cinema que continuava aquela pela literatura. Ptraticamente em todos os dias da semana eu procurava uma sala cinematográfica, em geral no horário das duas, logo depois das aulas.

             Então o Rio era particularmente rico de salas cinematográficas, o que me induziu á tentativa de conhecê-las quase todas. Coisa praticamente impossível, pois as mesmas se distribuiam por bairros e subúrbios cariocas. O fulcro central dessa minha prática era a Praça Saenz Peña, famosa também pelos seus 5, 6 cinemas, desde os mais pobres, com o Tijuquinha, até os suntuosos Metro Tijuca, Carioca e Olinda.

             Assim cresci integrado num grande amor pelo cinema. Sentimento que se aprimorava com o passar dos anos. Com ele chego em 1959, ano de minha definitiva descoberta de Alain Resnais que então me revelava a obra-prima que é o seu Hiroshima mon amour.  

                Alain Resnais nasceu em Vannes, a 3 de junho de 1922 e vem a falecer em Paris, no 1° de março pssado. São 91 anos de vida que se apresentam como modelo de um quase paradoxo. O cinema de Resnais desde lo seu início se apresenta como alguma coisa de absollutamente inédito, a começar pelo silêncio que em geral recobre tanto a sua figura, quanto as operações realizadas pelo jovem diretor cinematpgráfico. É o período formativo de uma lingagem que desde seu início revela o empenho sócio-político do autor, ao mesmo tempo que mostra o nascimento de uma nova sintaxe fílmica, origem incontestável da Nouvelle Vague.

             Muito difíciel será sempre a relação entre Resnais e os teóricos do Cahiers du Cinema. Ainda que sempre admirando os trabalhos de Godard, Truffaut, Chabrol, Malle, Rohmer, mantém-se quase sempre bastante distante da vida exuberante desses grandes diretores, renovadores do cinema mundial.

             Tal posição nasce da mentalidade desenvolvida por Alain Resnais a partir de seus primeiros curtos, alguns deles muito próximos à obra-prima. Como acontece com o Nuit e brouillard, de 1956, , e nos seus 30 minutos, nos quais os versos de um poeta sublinha dramatiicamente as dolorosas e absurdas experiências de um campo de extermínio nazista. Do mesmo nível, o curto de 1956, de 22 minutos, Toute la memoire du monde.

             Assim chegamos em 1959 sob o impacto de Hiroshima mon amour, realizado por Resnais, com cenários de Marguerita Duras. Filme pacifista, mas com forte intensidade de denúncias. Esta obra-prima de Resnais veio de encontro ao desenvolvido anti-americanismo que os jovens da minha geração sempre cultivara, em particular pela bomba atõmica americana lançada contra a indefesa gente de Hiroshima e de outras cidades japonesas.

             A mesma força dessa contestação, a vamos encontrar, entre outros, em O ano passado em Marienbad, escrito por Alain Robbe Grillet, São os máximos exemplos do cinema revolucionário, silêncio e força, de um dos maiores criadores artíticos contemporâneos.

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