CABO-VERDIANOS DE SEGUNDA GERAÇÃO NO ENSINO SUPERIOR – por Clara Castilho

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Uma tese para obtenção do grau de doutor em Ciências da Educação – Educação, Sociedade e Desenvolvimento, pela Universidade Nova de Lisboa, em Maio de 2013, de autoria de Gustavo Silva Évora, com o título “Sucesso escolar nos alunos de origem cabo-verdiana: o caso dos alunos que ingressam no ensino superior”, analisa a escolarização dos descendentes de imigrantes tendo como foco central o caso particular dos descendentes de imigrantes cabo-verdianos, particularmente  casos de jovens pertencentes a contextos familiares socioeconomicamente desfavorecidos, cujos percursos escolares permitem o ingresso no ensino superior. No estudo, foi utilizada uma metodologia comparativa que permite confrontar os percursos escolares de um grupo de jovens descendentes de cabo-verdianos com sucesso escolar com os percursos de um grupo, da mesma origem, de jovens com insucesso escolar. A análise foi centrada nos discursos destes jovens e dos seus encarregados de educação, recolhidos através de entrevista para fazer sobressair os aspectos marcantes da relação das famílias com a escola, para compreender as particularidades dessa relação, especificamente com o saber escolar, associadas ao sucesso escolar dos jovens dessas famílias.

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A análise dos dados revelou a existência de um padrão de atitudes, de comportamentos e acções cuja identificação nas famílias dos jovens com sucesso escolar e ausência nas famílias dos jovens com insucesso levam a associar ao sucesso dos primeiros. […]estão relacionadas  sobretudo com o modo como operacionalizam a crença no valor da escolarização dos seus descendentes como veículo de mobilidade social ascendente – crença existente em ambas. […] as famílias dos Jovens com Insucesso Escolar (JIE) mostram-se conformadas com o facto de os filhos se limitarem a cumprir a escolaridade obrigatória, considerando o ingresso precoce no mercado de trabalho como uma alternativa natural.

O controlo exercido pelos pais dos Jovens com Sucesso Escolar  (JES) sobre estes, nomeadamente sobre vários aspectos da sua vida escolar, mostrou ser um dos principais atributos diferenciadores destas famílias em relação às dos JIE.

O investimento na educação dos filhos inicia-se com a frequência da educação pré-escolar por parte dos jovens do estudo, principalmente dos JSE.

Uma das caraterísticas que tornam iguais os dois grupos de famílias são os seus fracos recursos económicos, uma realidade transversal a todas as que integram o estudo; A dimensão e a composição dos agregados familiares relacionam-se com o sucesso escolar, (assim como) os níveis de rendimento .

O facto de os JSE estabelecerem objetivos que contemplam a realização de um curso superior justifica o seu empenho, esforço e compromisso com os estudos, no sentido da obtenção de bons resultados escolares. A ambição de atingir posições sociais acima das ocupadas pelos pais – até para os recompensar dos sacrifícios que estes realizam para lhes proporcionar uma boa educação – é referido por estes jovens como um fator de motivação adicional para o prosseguimento dos estudos e para que não se limitem ao cumprimento da escolaridade obrigatória.

Todo trabalho pode ser consultado em

http://run.unl.pt/bitstream/10362/10954/1/TESE%20DOUTORAMENTO%20GUSTAVO%20%C3%89VORA.pdf

 

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