FRATERNIZAR – D. José Cordeiro, Bispo de Bragança-Miranda – por Mário de Oliveira

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Muita parra, Evangelho de Jesus, nenhum!

No país em geral, quase não se fala dele. Não assim, em Bragança-Miranda, onde é o bispo residencial. Fosse D. José Cordeiro, do Patriarcado de Lisboa, ou da diocese do Porto, e andaria nas bocas dos grandes media. Não propriamente pelas suas práticas pastorais, que não interessam nem ao menino-jesus, quanto mais às populações condenadas a ter de viver no lixo e a morrer de abandono e de tristeza, mas pelo seu curriculum clerical que pode ser lido, ao pormenor, no respectivo site da diocese (http://diocesebm.pt/bispo/). E, também, pela intrincada rede de gente graúda e endinheirada, das áreas do poder autárquico, da maçonaria e da opus dei (assim, em letras minúsculas, pois claro), de que ele faz questão de se rodear e de se fazer acompanhar, no âmbito da sua diocese. E graças, ainda, a um núcleo de cardeais da Cúria romana, dos quais se orgulha de ser amigo, ou ele não tivesse vivido largos anos em Roma e, desse modo, criado laços, nem sempre tão transparentes quanto seria de desejar, mas, por isso mesmo, ainda mais influentes e temíveis, um terreno onde só se triunfa e se chega a bispo residencial, e assim tão novo, como no seu caso, se se consegue ter uns quantos cardeais padrinhos, assim quase ao modo de namorados. Tudo coisas próprias do tenebroso mundo eclesiástico e clerical, que o próprio cristianismo ajuda a alimentar e a encobrir, já que, para o exterior, tudo é institucionalmente apresentado sob a máscara da virtude e da santidade, quando, na verdade, é o que há de mais perverso. Que para isso serve o cristianismo, que é capaz de mudar a opulência e o poder, em, respectivamente, glória a Deus e coisa sagrada. Ou dito por outras palavras, Muita parra, Evangelho de Jesus, nenhum!

D. José Manuel Garcia Cordeiro, de seu nome completo, é 44.º Bispo da Diocese de Bragança-Miranda. Nasceu em Vila Nova do Seles, Angola, em 1967, e, em 1975, veio para Parada, Alfândega da Fé. Estudou nos seminários diocesanos de Vinhais, Bragança e Porto. (o resto, e muito é, têm de consultar o site, se quiserem saber e rir-se de todos aqueles pormenores, cheios de coisa nenhuma, no que respeita a “fermento na massa”, a “sal da terra” e a “luz do mundo”). Pequeno de estatura, D. José Cordeiro sempre sonhou alto, como revela o seu percurso de vida até chegar a bispo de Bragança-Miranda, um percurso de vaidade e de carreirismo, que ainda poderá vir a dar que falar. A menos que as populações consigam ver a realidade que se esconde por trás de toda a encenação. Se assim não for, Bragança-Miranda poderá se apenas a rampa de lançamento para voos eclesiásticos mais altos, como a comprovar o velho ditado de que os homens (do Poder) não se medem aos palmos. Medem-se, sim, pelo tamanho das suas desmedidas ambições. E desmedidas ambições, é o que não falta ao bispo D. José Cordeiro. A diocese do Porto já esteve na mira e à beira de acontecer, mas a Nunciatura em Lisboa (o respectivo Bispo-núncio ainda não é cardeal!) trocou-lhe as voltas e, falhada a primeira escolha, que recairia no bispo de Lamego, não andasse ele, por estes dias, às voltas com uma grave e arreliadora doença, entrou de imediato na corrida e saiu vencedor, o bispo de Aveiro, que agora não se cansa de dizer que deixa aquela igreja local com muita dor!!! E que só o amor que ele diz ter a Deus (que Deus, bispo António Francisco?!), o fez aceitar a proposta do núncio do papa.

 Desengane-se quem ainda pensa que o que faz correr os bispos é o amor ao Evangelho de Deus, praticado/revelado em Jesus, o filho de Maria, e por causa do qual acabou crucificado pelo império de Roma, a exigências dos sumos-sacerdotes de Jerusalém. O que os faz correr a todos, ou quase a todos, é o poder, são os lugares cimeiros e de mais prestígio, ou eles não se reclamem de sucessores dos apóstolos, precisamente os 12 traidores de Jesus, como hoje está bem documentado e o meu Livro JESUS SEGUNDO JOÃO (3.ª edição, Abril 2014) revela à saciedade. Porque o que todos eles já então pretendiam e por isso deixaram tudo para andar com Jesus, era o poder. E foi o que vieram a ter, mas só depois de se terem desembaraçado de Jesus e de o terem entregue aos seus chefes religiosos e políticos, os sumos-sacerdotes de Jerusalém e Pilatos, para que o crucificassem como o maldito dos malditos. O que aconteceu, precisamente, em Abril do ano 30!

Em Bragança, mais ainda do que em Miranda, D. José Cordeiro é o sumo-sacerdote, rodeado de gente graúda e fina, endinheirada e de negociatas, as principais das quais, realizadas nas trevas, como convém. São uma poderosa e organizada elite local, porventura, sem grande repercussão em Lisboa, cujos membros estão à frente de tudo o que”mexe” e é decisivo na região, tiranetes influentes q.b, em Bragança, a Lisboa transmontana de Portugal, a confinar com Espanha, a de Franco e da opus dei do Pe. José Maria Escrivá de Balaguer, beatificado e canonizado a todo o vapor pelo papa João Paulo II, ele próprio, já beato, e a poucos dias de ser canonizado, igualmente a todo o vapor. É um tal fartar vilanagem! Ora, como para lá do Marão, mandam os poucos mandantes que lá estão, Bragança é a sua capital, a Câmara Municipal é o seu Parlamento, os media locais são os seus altifalantes, a catedral é a basílica de s. pedro, o bispo é o papa, as escolas são os espaços onde as novas gerações lá nascidas e residentes são mentalmente formadas/formatadas. Tudo está nas mãos desta máfia local, e ai das populações que abram os olhos e teimem em mantê-los abertos, apesar das perseguições que lhes movam. Vêem, na hora, as suas vidas andar para trás, excluídas de tudo, e escarnecidas.

O bispo é o homem da batuta, pelo menos, pensa que é e comporta-se como tal. Na verdade, não passa de um pau-mandado da elite todo-poderosa que se serve dele e das suas desmedidas ambições, para melhor poder levar a água aos múltiplos moinhos dos seus negócios financeiros e mediáticos. A rede de ligações é de malha oposta à do fundo de uma agulha, pelo qual não passam os grandes ricos, no sábio dizer de Jesus, o do Evangelho, não o Jesuscristo do cristianismo, do qual tanto gosta de falar o bispo, ou ele não fosse doutor nessas coisas de liturgia e perito em “lectio divina”, coisa para ricos e candidatos a ricos, não perito em lectio humana, sempre incómoda, sobretudo, se passarmos a vida, como faz Jesus, o camponês-artesão de Nazaré, à escuta das vítimas, também as da Bíblia e as das missas cheias de mitos, nenhuma realidade. Através dessa rede de malha oposta à do fundo de uma agulha, passam apenas os grandes tubarões e, se calha de algum peixe miúdo ser integrado nela, é porque deu sobejas provas de ser suficientemente lacaio, para nunca ousar sair do seu lugar de chinela, atento e reverente, sem boca para falar, sem olhos para ver, sem ouvidos para escutar. De contrário, acaba nas trevas exteriores, num permanente ranger de dentes. Completamente desacreditado, como se de um louco se tratasse.

O bispo D. José Cordeiro foi notícia, quando o seu Volkswagen passat, novinho em folha – que querem? Tem de ter um carro à bispo de Bragança-Miranda, futuro cardeal, nem que, para tanto, seja necessário criar um lugar à medida dele! – teve, ao que, na altura, se disse/escreveu, uma falha técnica, por sinal, logo da primeira vez que o seu dono o quis tirar da garagem, por entre um misterioso nervoso miudinho. Moveu-se em marcha atrás e veio, descontrolado, galgar a vedação e acabar empoleirado sobre um velho carro de um trabalhador, numa tremendamente expressiva metáfora do que é o bispo-poder monárquico absoluto em Bragança-Miranda sobre as populações, suas súbditas e súbditas da elite que ele comanda e que o comanda. Na altura, os grandes media falaram, mas depressa se calaram, que a maçonaria e a opus dei, compulsivas cultuadoras do deus Dinheiro, os fizeram calar. E assim se fez. Desde então, vale tudo, até tirar olhos, para que as populações não se apercebam de nada. Nem sequer os clérigos da diocese, cada vez em menor número, que isto de ser pároco da multinacional católica romana já foi chão que deu uvas.

 Nesta altura, a diocese de Bragança-Miranda está convertida numa grande empresa de negócios religiosos e turísticos, para além de outros que, por agora, se desconhecem. Dinheiro, é coisa que não falta. O bispo sabe encenar bastante bem as coisas, embora tudo o que faz soe a oco. E revela-se perito na arte de representar. Quem frequenta os sites e as páginas no Fb, da diocese e do bispo, do Mensageiro, da Pastoral do Turismo, do Museu Abade de Baçal, vê montanhas de fotos e referências a eventos, todos frequentados por gente fina e endinheirada, que o pé descalço onde estiver, estraga a fotografia e suja os espaços apalaçados. Concretamente, a chamada Pastoral do Turismo religioso está a ser, nesta altura do calendário litúrgico, a caminho da Páscoa do cristianismo que assassinou definitivamente Jesus e o substituiu pelo mítico Cristo de S. Paulo, uma das grandes apostas do bispo, em parceria com a CM de Bragança.

 Ora, para Presidente da Pastoral do Turismo, cujo logótipo, estilizado, faz lembrar ao observador mais atento, o conjunto, compasso e esquadro, conhecidos símbolos da maçonaria, o bispo escolheu Alexandrina Fernandes que, por coincidência, é também, ao que se supõe e se faz constar, a dona e a gerente da empresa, A.Montesinhos Turismo, a dona do Restaurante D. Robert e da Quinta das Covas, em Gimonde. Além disso, é amiga pessoal do bispo e há, até, quem lhe chame, em surdina e com cúmplices sorrisos, “a menina do bispo”. Para colaborar com ela, como o seu braço direito, o bispo escolheu – vejam só! – a própria tia de Alexandrina Fernandes, de seu nome, Ana Maria Afonso, que, simultaneamente, é a Presidente do Museu Abade de Baçal, e sem que, em tudo isto, haja qualquer conflito de interesses, porque o que é bom para a empresária Alexandrina Fernandes é bom para a Pastoral do Turismo, e o que é bom para a Pastoral do Turismo é bom para o bispo e para o presidente do Município, por coincidência, ambos antigos colegas no seminário, e um acérrimo colaborador da Pastoral do Turismo religioso, com os chamados Roteiros Turísticos municipais, com destaque para os monumentos católicos plantados na região. Sem esquecer – seria uma falha imperdoável – o reitor da Catedral, Pe. Dr. Sobrinho Alves, indubitavelmente, o homem-sombra do bispo, de quem, nos seus idos do seminário, até, chegou a ser um dos seus professores, e que, actualmente, é o que tem nas mãos a chave de acesso ao dinheiro acumulado e concentrado, lá onde quer que ele se encontre. Pelo que, sempre que for preciso, o dinheiro é transferido para a conta da diocese e, assim, se transforma em dinheiro limpinho e sagrado, para não dizer, divino. A prova provada disso, é o Reitor da Catedral ter conseguido, num só ano, arranjar, em Bragança e no estrangeiro, 650 000,00 €, para pagar a dívida com que a diocese se debatia, faz tempo. Aliás, a notícia deste sucesso é do próprio Mensageiro de Bragança, cujo administrador – vejam só mais esta coincidência! – é Adriano Augusto Diegues, nada mais, nada menos que o presidente da Caixa de Crédito Agrícola.

Pelo que aqui fica sumariamente dito, a diocese de Bragança, com o seu bispo D. José Cordeiro, está financeiramente bem e recomenda-se. Já, as populações de Bragança-Miranda é que continuam condenadas a ter de morrer de tristeza, de abandono, de solidão, de doenças curáveis, que ficam sem os cuidados dos serviços de saúde, simplesmente, porque elas não integram a elite endinheirada e todo-poderosa presidida pelo bispo. Muito menos, são o bispo da diocese! É de bradar às pedras da calçada, que o céu fica lá longe e é reservado aos papas, aos bispos e aos párocos/pastores, todos institucionalmente santos, por isso, acima de toda a suspeita, por mais pedófilos, comerciantes, corruptos e ladrões que sejam! E, por arrastamento, é igualmente reservado à elite endinheirada que, à sombra deles, conseguir negociar em grande e com sucesso, pataca a mim, pataca a ti, melhor, milhão a mim, milhão a ti. E isto, ano após ano, geração após geração, per saecula saeculorum. Amen!

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7 Comments

  1. * Lamentável -A Igreja de Cristo só existe entre os pobres .virou-se do avesso .*

    *Há a Igreja de Cristo e uma instituição de Igreja apelidada de “cristã”que à pala do que Cristo deixou como normas de conduta em Seu nome ,vão se pavoneando e tirando dividendos .Maria *

  2. Às vezes encontram-se estas peças de humor revisteiro na net. Ficamos a saber que o acidente com o carro do Bispo, esse explorador, era de propósito para humilhar um pobre proletário, que os media nacionais não abriram os seus noticiários nem colocaram na primeira página por temor reverencial, que é um escândalo que uma gerente de uma empresa que se dedica ao turismo no Montesinho e a responsável pelo museu do Abade de Baçal sejam nomeadas para a Pastoral do turismo (onde já se viu pessoas com experiência no turismo e conhecimentos da etnografia e património de uma região serem chamados para desempenhar responsabilidades na área do turismo…ainda por cima a Pastoral do mesmo deve-lhes pagar imenso), que ter relações com o clero da vizinha Leão é sinónimo de saudosismo do regime franquista…enfim, um sem número de horrores. Chamem já a Carbonária e o Afonso Costa, que a Igreja anda a pisar o pobre e incauto diocesano de Bragança-Miranda.

  3. Vamos por partes:
    1 – O acidente. Pelo que li no artigo “Muita parra, Evangelho de Jesus nenhum!” e julgo ter percebido bem, goste-se ou não se goste do autor, é que, ironia do destino, o carrão do rico caiu precisamente em cima do carrito do pobre. Não percebi, peço desculpa, que a queda fosse propositada para humilhar o pobre proletário, como diz o João Pedro.
    Poderíamos especular se é correto ou não se um bispo da Era Francisco deve pavonear-se num carro destes, mas não me parece sequer valer a pena ir por aí. Creio que sobre a “humildade” deste bispo já estamos elucidados. Basta seguir os facebooks, páginas digitais, jornais e por aí fora onde o bispo se faz publicitar. Cada um que tire conclusões…
    2 – Pastoral do Turismo. Então o bispo não tinha em toda a diocese ninguém mais experiente em turismo, mais idóneo e sem interesses instalados, a quem pudesse confiar a direção da pastoral? Estava a pensar, sei lá…por exemplo em alguém que fosse funcionário do serviço público de Turismo. Existe um em Bragança, sabia? Certamente que o seu responsável não terá empresas a querer reerguer, tirar da lama da má fama, por exemplo das alheiras bísaro, de caça, mas que nunca viram caça, tal como avaliou a Proteste à cerca de dois meses! Alheiras da empresa da menina da pastoral.
    E não bastando a menina das bísaro o bispo ainda lhe juntou a tia, não na pastoral dos interesses turísticos, mas numa comissão das várias que o bispo criou para dar montra aos e às amigos(as). Segundo o João Pedro, e se bem entendi o que li no post, a referida senhora é entendida em etnografia e património da região. Em património até posso aceitar uma vez que, pelo que se sabe, é licenciada em História. Já sobre etnografia, só se o tio padre lhe deixou de herança o conhecimento e o cérebro. A esperteza tem ela de sobra. Aliás se não fosse pela esperteza de fazerem bolhas nos pés em peregrinação interesseira jamais o bispo lhes teria dado conversa.
    Agora que se amanhe!
    3 – Quanto ao pagamento que a pastoral e a comissão fazem a estas senhoras, o retorno é mais que óbvio! É em clientes para a empresa turística da menina e em visitantes, participantes nas atividades e afins promovidas pela tia.
    Como pode ver, senhor João Pedro, são só lucros!!!

  4. A igreja que se diz seguidora de Cristo não pode perder tempo com “tricas”, pois estas sempre ouve, não vos lembrais do Judas, então hoje também os há. No entanto D. José Cordeiro só ele tem que pagar pelos seus pecados, a nós, cabe-nos seguir Jesus. Ele É o Caminho A Verdade e a Vida.

  5. Ó dona Mavilde olhe que os pecados do seu D. José Cordeiro já começam a ser pesados, e enquanto esse senhor não paga por eles quem sofre são as populações que ele engana com a falsidade da sua verborreia litúrgica que nem sequer se encontra nos Evangelhos Canónicos. Leia e verá que nada encontra sobra missas e liturgias. Queria lá Jesus de Nazaré saber disso! Pois se foi isso mesmo, em versão sumos sacerdotes do templo judaico do seu tempo, que Jesus combateu e por isso foi crucificado entre dois ladrões, como se Ele fosse mais um entre iguais!!!

  6. mário oliveira é o típico exemplo de carreirista por vias-travessas. Não tem um cheirinho de Evangelho. Há quanto tempo não se confessa, mário. Fazia-lhe muito bem!

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