Nos próximos dias, felizmente, a vida política portuguesa vai ser dominada pelas comemorações do 40º aniversário do 25 de Abril. Contudo, a vida dos portugueses vai continuar afectada pelas políticas de austeridade e de (des)integração europeia, em relação às quais não se prevêem grandes alterações. É importante perceber que muitos portugueses sentem o 25 de Abril como um acontecimento positivo; mais importante ainda compreender a oposição que fazem entre as políticas que os oprimem e os valores da liberdade e da democracia.
Para o mês que vem temos as eleições europeias. Nestas eleições, nas intenções de voto, a situação interna do país vai pesar mais do que a situação da Europa em geral. É compreensível que seja assim: a situação dos portugueses é má, grande parte das políticas que nos têm afectado negativamente é subscrita pelos organismos da União Europeia e é duvidoso que entre nós o sentimento de pertencer à Europa, para além das afinidades geográficas, tenha muitos aderentes sinceros. Mais ainda: percebe-se que o governo entrou em campanha eleitoral, e que está a retardar a entrada em vigor de mais medidas restritivas para a maioria, na esperança de recuperar alguns votos. Isso não vai ajudar nem a participação eleitoral, nem a clareza de ideias na altura da opção de voto, pelo contrário.
É de prever que as políticas de austeridade vão continuar, caso não ocorram grandes mudanças na vida política portuguesa. Essas mudanças políticas terão de ocorrer em múltiplos aspectos, e um deles, terá de ser o da posição face à Europa. Talvez seja mesmo dos mais importantes. À partida, tem de se perceber que, no momento presente, a Europa dificilmente mudará de posição em relação a nós. Contudo será importante fazer sentir aos organismos europeus e, mais importante ainda, aos países que se arrogam mandar na Europa, que nós também não estamos num papel meramente passivo.