POESIA AO AMANHECER – 427 – por Manuel Simões

poesiaamanhecer

                       JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA

                     ( 1965 )

 

            A NOITE ABRE MEUS OLHOS

 

            No sangue do filho do homem

            uma parcela trémula

            um silêncio demasiado precioso

            para a listagem das grandes transformações

 

            Caminhei sempre para ti sobre o mar encrespado

            na constelação onde os tremoceiros estendem

            rondas de aço e charcos

            no seu extremo azulado

 

            Ferrugens cintilam no mundo,

            atravessei a corrente

            unicamente às escuras

            construí minha casa na duração

            de obscuras línguas de fogo, de lianas, de líquens

 

            A aurora para a qual todos se voltam

            leva meu barco da porta entreaberta

 

            o amor é uma noite a que se chega só

 

            (de “A Estrada Branca”)

Poeta e ensaísta. Os seus temas privilegiam questões relacionadas entre o Cristianismo e a Cultura, entre a Religião e Espaço Público. Foi incluído na antologia madeirense “Poet’Arte ‘90” (1990). Da sua já extensa obra poética: “Os Dias Contados” (1990), “Longe não sabia” (1997), “A que distância deixaste o coração” (1998), “Baldios” (1999), “De igual para igual” (2001), “A Estrada Branca” (2005), “O Viajante sem Sono” (2009).

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