POESIA AO AMANHECER – 428 – por Manuel Simões

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                                                        SÃO MONIZ GOUVEIA

                                                                       ( 1967 )

            O QUE EU DIGO (ESTANDO) SOBRE A TUA PELE

            um dia as minhas palavras descobriram-te

            nuas cobriram-te

            e sentaram-se

            pensativas e calmas sobre a tua pele

 

            um dia as minhas palavras escolheram-te

            disseram-te que gostavam de ser longas e distantes

            falaram-te que o fim eram as verdades todas

            emprestaram-te uma ideia vaga e enevoada

            de que às vezes é melhor não saber nada…

 

            um dia as minhas palavras refizeram-te

            e inventaram que é bom querer ser coisas loucas

            inventaram que o melhor são coisas como lágrimas

            por serem emoções…

 

            depois encolheram-se

            fugiram por uma rua apinhada de gente

            e foram para um lugar de que se me escapa o nome

 

            foi um gesto tímido que levou a nada

            (de “Poetas Contemporâneosda Ilha da Madeira”)

Poetisa. Colaborou em vários jornais e revistas: “Atlântico”, “Notícias da Madeira”, “Eco do Funchal”, “Margem 2”. Incluída em “Poet’Arte ‘90” (1990) e “Vers’Arte 91” (1991). Obra poética: “Cartas para um Tenente” (1996), “Lupus in fabula” (2001).

 

 

 

 

 

 

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