SÃO MONIZ GOUVEIA
( 1967 )
O QUE EU DIGO (ESTANDO) SOBRE A TUA PELE
um dia as minhas palavras descobriram-te
nuas cobriram-te
e sentaram-se
pensativas e calmas sobre a tua pele
um dia as minhas palavras escolheram-te
disseram-te que gostavam de ser longas e distantes
falaram-te que o fim eram as verdades todas
emprestaram-te uma ideia vaga e enevoada
de que às vezes é melhor não saber nada…
um dia as minhas palavras refizeram-te
e inventaram que é bom querer ser coisas loucas
inventaram que o melhor são coisas como lágrimas
por serem emoções…
depois encolheram-se
fugiram por uma rua apinhada de gente
e foram para um lugar de que se me escapa o nome
foi um gesto tímido que levou a nada
(de “Poetas Contemporâneosda Ilha da Madeira”)
Poetisa. Colaborou em vários jornais e revistas: “Atlântico”, “Notícias da Madeira”, “Eco do Funchal”, “Margem 2”. Incluída em “Poet’Arte ‘90” (1990) e “Vers’Arte 91” (1991). Obra poética: “Cartas para um Tenente” (1996), “Lupus in fabula” (2001).

