TRABALHADORES TOMAM O RUMO DAS SUAS VIDAS – por Clara Castilho

25 de Abril sempre

Programa do MFA ponto 6,

Alínea a) uma nova política económica, posta ao serviço do Povo Português, em particular das camadas da população até agora mais desfavorecidas, tendo como preocupação imediata a luta contra a inflação e a alta excessiva do custo de vida, o que necessariamente implicará uma estratégia antimonopolista”.

Alínea b) “uma nova política social eu, em todos os domínios, terá essencialmente como objectivo a defesa dos interesses das classes trabalhadoras e o aumento progressivo, mas acelerado, da qualidade de vida de todos os portugueses”.

ORGANIZAÇÃO LABORAL

A 14 de Março de 1975 dá-se a nacionalização do sistema financeiro,  depois dos seguros (15 de Março).

O Conselho da Revolução de 11 de Abril de 1975 tomou as seguintes medidas:

  • Nacionalização dos sectores básicos da indústria e energia (electricidade, refinação e distribuição de petróleo, siderurgia nacional, transportes e comunicações)

  • Programa de pleno emprego

  • Política de preços

  • Arranque da reforma agrária

Mas, o facto é que as leis iam atrás do que já se fazia. Depois de 48 anos de ditadura, foi como se abrisse uma panela de pressão. O povo uniu-se, o povo manifestou-se, o povo organizou-se, o povo exigiu, o povo ousar ser ele a dirigir empresas, herdades.

A auto gestão chegou a atingir mais de 1700 empresas, ocupando 120 mil trabalhadores, a maioria na indústria metalomecânica, e nos têxteis.

A 29 Julho de 1975, um decreto que institucionalizava o processo de ocupação, mas já havia cerca de 150 mil hectares de terra estavam nas mãos dos trabalhadores- “A terra a quem a trabalha”. Rapidamente os trabalhadores se organizaram em comissões pró-sindicato e apareceram as primeiras convenções colectivas da história do trabalho rural, com salário mínimo, direito a férias e horas extraordinárias.

Antes, a jornada semanal era de 48 horas. Depois foi negociada. O salário mínimo de 1974, em euros corresponderia a 548 e hoje 485. Muitas das conquistas de então desapareceram. Como desapareceu a alegria, a combatividade. Terá também desaparecido a força de querer mudar?

     

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