“PRIMEIRA RETROSPECTIVA DAS FOTOGRAFIAS DE FRANCO FONTANA EM VENEZA“
Talvez não exista no mundo nenhuma cidade tão fotogênica como Veneza. Será por isso mesmo que as suas ruas e praças, as suas pontes, todas, não somente as 4 grandes que unem as margens do Canal Grande, se vejam sempre tomadas pelos turistas, em particular aqueles asiáticos. Então, os mais diversos instrumentos de captação são usados, desde a tradicional Kodak, até os “telefonini “ os mais diferentes por potência e preço… Mas igualmente monstruosos Ipad ou outros novos visores.
Os venezianos ficam indiferentes a tal culto, coisa que eu não soube, quando passou o grande inverno de 1963 – o meu batismo com a neve – evitar. Isto porque, apenas começada a primavera, comecei a caminhar por Venezia. E então me fiz um fotógrafo com intensidade, tentando assim reter nos meus olhos todos os encantantos da Serenissima. Fiz dezenas, centenas de fotos, mas não conservei uma sequer… Isto porque, em verdade, eu não era um fotógrafo, mas me comportava contrariamente a um dos pontos centrais da estética de Fontana:
“Fotografar é um ato de conhecimento: é possuir. Aquilo que se fotografa não são imagens, mas uma reprodução de nós mesmos. A criatividade não ilustra, não imita, mas interpreta fazendo-se pesquisa da verdade ideal. A fotografia criativa não deve reproduzir, ma interpretar, fazendo visível o invisível“.
Mas não só fotógrafos amadores circularm por Veneza; existem igualmente significativos profissionais do setor que testemunham com estabilidade os fatos e feitos mais importantes da vida citadina. Era o caso de um caro amigo meu nas duas primeiras décadas dos 50 anos que até aqui vivi em Veneza, o super-ativo Reberschack. Dele me ficaram as fotos da grande enchente, a “acqua-alta“ de 1966.
Por todas essas razões, não supreende que em determinado momento, como o atual, duas importantes exposições de fotografia movimentem o ambiente artístico veneziano: a do fotografo italiano Franco Fontana; e a do mestre brasileiro, Sebastião Salgado.
Comecemos com a grande retrospectiva de Franco Fontana, nascido em Modena, no dia 9 de dezembro de 1933.
Esta primeira retrospectiva veneziana, organizada por Denis Curti, mostra ao público mais de 130 pezzi do artista emiliano, em todas as fases de sua movimentada carreira, coberta de sucessos na Itália e no exterior. Em 1963 acontece a sua estréia internacional, na 3ª. Bienal Internacional da Cor de Viena.
A cor desde logo constitui o elemento distintivo da fotografia de Franco Fontana. De grande importância é a primeira fase de sua produção, composta de paisagens sem figuração humana e de grande intensidade colorística. Fontana desde então parte de uma posição abstrato-informal, na linha de Kandinsky, na qual a cor tem posição de absoluta significação. E assim continua por todas as outras fases, mesmo aquelas em que na paisagem aparecem as figuras, não somente humanas, porém jamais tomadas numa perspectiva neorealista.
A importante retrospectiva fotográfica de Franco Fontana, aberta ao público de 15 de fevereiro a 18 de maio deste 2014, se apresenta significativamente com o título Full color, pois a cor é o elemento essencial da arte do fotógrafo emiliano. O mesmo que depois da fase reveladora da paisagem o levou a realizar mais de 400 exposições, pessoais e coletivas.
“Com a ajuda da cor, a criatividade se faz sinônimo de um movimento que gera a vida.
A forma é a chave da existência e eu procuro exprimí-la fotografando o espaço, em correlação com as coisas nele presentes.“