De Moscovo, pela voz de Vladimir Putin com a anuência da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) e do seu presidente, o também presidente da neutral Suíça, chegaram propostas para baixar a tensão na Ucrânia: adiar o referendo autonomista do Leste, em 11 de Maio, e suspensão da “ofensiva punitiva” do exército governamental na região, para abrir um espaço de diálogo. Os federalistas aceitaram e cancelaram a consulta;, Kiev respondeu nem pensar e para que a voz soasse grossa a que se fez ouvir foi a do chefe fascista e do aparelho de segurança do regime, Andrey Parubyin. Fomos saber algo mais e, sem surpresa, encontrámos no conteúdo da resposta o dedo de Victoria Nuland, a subsecretária de Estado e agente do governo dos Estados Unidos da América para a desestabilização da Ucrânia.
De arbitrariedade em arbitrariedade deparámos com a decisão do Pentágono norte-americano de enviar militares para a Nigéria acompanhados por equipas da CIA e, imagine-se, do próprio FBI, a espionagem interna. O motivo invocado – o sequestro de 200 jovens estudantes por terroristas islâmicos – merece toda a atenção, o que fica por saber é se a decisão adequada é a do Pentágono ou se não será também um pretexto para abrir outros caminhos no maior produtor petrolífero africano. Porque os terroristas do Boko Haram há muito que desestabilizam a Nigéria e praticam sequestros e carnificinas para implantar a Sharia, a lei islâmica, e em nada diferem dos grupos da Al-Qaida sustentados pelo mesmo Pentágono na Síria e por ele levados ao poder na Líbia.
Valeria pelo menos empenhamento equivalente, em defesa de direitos humanos, a situação do povo do Saara Ocidental, massacrado e ocupado há décadas por Marrocos, e dos 72 detidos políticos distribuídos por várias prisões marroquinos, que continuam mal tratados depois de torturados. Contamos um pouco destes episódios de uma situação que o mundo, a começar pela ONU, pelo Pentágono e a União Europeia bem conhecem – preferindo sempre olhar para outro lado. É que Marrocos, mesmo torturando, violando direitos humanos, negando direitos de povos, ocupando territórios está do lado “dos bons”, nada tem a ver com os “párias”.
Jornalistas sem fronteiras… Deotológicas ou éticas!
Estão a soldo de quem? – Da Santa inquisição ou de um novo nazismo?