POESIA AO AMANHECER – 439 – por Manuel Simões

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VINICIUS DE MORAES

                                             ( 1913 – 1980 )

            SONETO DE SEPARAÇÃO

            De repente do riso fez-se o pranto

            Silencioso e branco como a bruma

            E das bocas unidas fez-se a espuma

            E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

 

            De repente da calma fez-se o vento

            Que dos olhos desfez a última chama

            E da paixão fez-se o pressentimento

            E do momento imóvel fez-se o drama.

 

            De repente, não mais que de repente

            Fez-se de triste o que se fez amante

            E de sozinho o que se fez contente

 

            Fez-se do amigo próximo o distante

            Fez-se da vida uma aventura errante

            De repente, não mais que de repente.

            (de “Poemas, Sonetos e Baladas”)

O seu nome, de grande poeta do espírito e do amor, está intimamente ligado à música popular brasileira e divulgado sobretudo nos anos 50 e 60, em colaboração com Tom Jobim, Carlos Lira, Toquinho e outros. A sua poesia encontra-se nos volumes “O caminho para a distância” (1933), “Poemas, Sonetos e Baladas” (1946), “Para viver um grande amor” (1962), depois reunidos em “Poesia Completa e Prosa” (1974). Com música de Antônio Carlos Jobim, correram o mundo as canções “Chega de saudade” ou “Garota de Ipanema”.

 

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