VINICIUS DE MORAES
( 1913 – 1980 )
SONETO DE SEPARAÇÃO
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
(de “Poemas, Sonetos e Baladas”)
O seu nome, de grande poeta do espírito e do amor, está intimamente ligado à música popular brasileira e divulgado sobretudo nos anos 50 e 60, em colaboração com Tom Jobim, Carlos Lira, Toquinho e outros. A sua poesia encontra-se nos volumes “O caminho para a distância” (1933), “Poemas, Sonetos e Baladas” (1946), “Para viver um grande amor” (1962), depois reunidos em “Poesia Completa e Prosa” (1974). Com música de Antônio Carlos Jobim, correram o mundo as canções “Chega de saudade” ou “Garota de Ipanema”.

