POESIA AO AMANHECER – 440 – por Manuel Simões

poesiaamanhecer

                                   JOÃO CABRAL DE MELO NETO

                                                  ( 1920 – 1999)

            O ENGENHEIRO

            A luz, o sol, o ar livre

            envolvem o sonho do engenheiro.

            O engenheiro sonha coisas claras:

            superfícies, tênis, um copo de água.

 

            O lápis, o esquadro, o papel;

            o desenho, o projeto, o número:

            o engenheiro pensa o mundo justo,

            mundo que nenhum véu encobre.

 

            (Em certas tardes nós subíamos

            ao edifício. A cidade diária,

            como um jornal que todos liam,

            ganhava um pulmão de cimento e vidro).

 

            A água, o vento, a claridade,

            de um lado o rio, no alto as nuvens,

            situavam na natureza o edifício

            crescendo de suas forças simples.

            (de “O Engenheiro”)

Poeta e diplomata. A sua poesia privilegia a linguagem austera, precisa, essencial. Conhecido, sobretudo, pelo poema dramático “Morte e Vida Severina” (1956) em que se apresenta o tema dos “retirantes” obrigados pela seca a deixar as suas terras áridas a caminho do litoral. Da sua riquíssima obra poética salientamos: “A Pedra do Sono” (1942), “O Engenheiro” (1945), “O cão sem plumas” (1950), “A Educação pela Pedra” (1966), “A escola das facas” (1980).

Leave a Reply