EUROPA: UM TRAVESTI BARBUDO COMO MARIANNE, por JEAN ANSAR

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

 

 

EUROPA: UM TRAVESTI BARBUDO COMO MARIANNE

Mas até onde irão eles?

eurovisão - barbudo - I
Jean Ansar, Revista Metamag
le 11/05/2014 

O concurso da Eurovisão da canção é uma das manifestações mais mancas que se possam imaginar. Desde há já alguns anos que esta manifestação é eclipsada por todos os realitys show em redor dos “incríveis talentos” e outros “Voice”. Como sobreviver mesmo assim e manter-se nem que seja apenas  para obter lucros  e o maná  da retransmissão emitida por televisão? Fazendo muitos lucros, certamente. É suficiente adular a ideologia dominante e os financeiros dos espaços publicitários. Desde há já muito tempo que nas grandes manifestações internacionais, deixou de ser o talento que é recompensado mas o tema. É suficiente tratar um assunto politicamente correto para ter uma possibilidade… todos os que pensam como nós terão talento, mas não os outros.

Eis pois porque Cannes consagra filmes que ninguém vai ver e podem-se multiplicar os exemplos ao infinito na arte contemporânea onde um excremento num frasco apresentado por um artista do fim do mundo é necessariamente uma obra de arte.

Eis pois porque a Áustria ganhou o festival da Eurovisão da canção de 2014 apesar da presença dos Ucranianos que esperavam bem serem os consagrados pelos Europeus num gesto forte de resistência intelectual contra o maldoso Putin. Finalmente é o combate pelo “género” que ganhou o combate contra “o nacionalismo”.

 eurovisão - barbudo - II

Com 290 pontos, Conchita Wurst, o drag queen austríaco que arvora uma barba de três dias, ganha distanciado a final da Eurovisão 2014, apesar da hostilidade que inicialmente tinha suscitado em certos países da Europa de Leste, não ainda bastante abertos e democráticos para aceitar o outro certamente.

Num sumptuoso vestido dourado digno do muito incorrecto «Cage aux folles», Conchita Wurst – Tom Neuwirth do seu verdadeiro nome – comoveu os telespectadores e os eleitores que, por conseguinte, o colocaram à cabeça nos seus votos, à frente dos Países Baixos e da Suécia… E longe dos Twin Twin, os candidatos franceses chegaram como os últimos. Por uma vez ficar-se-á satisfeito deste último lugar.

Aí temos como bom exemplo o grande talento da Europa de Bruxelas, um sinal suplementar da sociedade sem nações, sem sexos onde esta construção nos quer levar. Não julgarei do talento de Conchita mas se o homem não tivesse sido uma mulher com barba, não teria ganho certamente. Desde o nazismo, é proibido falar de arte degenerada… tudo o que é degenerado em relação aos critérios clássicos é, por conseguinte, de promover [e assim é-se contra o nazismo].  Este comportamento imbecil que falseia todo um verdadeiro julgamento objectivo é ele razoável? Sim, a acreditarmos nos zeladores da divina Conchita, esta europeia tão ambígua como provocadora, que os lobbys nos querem impor uma negação das diferenciações sexuais. É necessário efectivamente que a Eurovisão sirva para qualquer coisa,  porque para o resto…!

Illustration en tête d’article: Vera Moukhina, l’ouvrier et la kolkhozienne, 1937, Moscou. Oeuvre de 25 mètres de haut et de 80 tonnes créée pour surmonter le pavillon de l’Union soviétique à l’exposition universelle de 1937 à Paris.

 

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