PALESTRA PELA ESCRITORA BRASILEIRA RACHEL GUTIÉRREZ – 23 MAIO, 18,30, SOCIEDADE PORTUGUESA DE AUTORES por Clara Castilho

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Lembramos este evento, organizado por este blog. Damos hoje um “cheirinho” do que irá ser abordado.

[…]”No fundo, Ana sempre tivera necessidade de sentir a raiz firme das coisas. E isso um lar perplexamente lhe dera. Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado. […] E apaziguara tão bem a vida, cuidara tanto para que ela não explodisse. […] E por um instante a vida sadia que levara até agora pareceu-lhe um modo moralmente louco de viver. […] E como uma borboleta, Ana prendeu o instante entre os dedos antes de que ele nunca mais fosse seu. […] Hoje de tarde alguma coisa tranquila se rebentara […] E se atravessara o amor e o seu inferno, penteava-se agora diante do espelho, por um instante sem nenhum mundo no coração. Antes de se deitar, como se apagasse uma vela, soprou a pequena flama do dia.”

O texto apresentado faz parte do conto Amor , do livro LAÇOS DE FAMÍLIA, de Clarice Lispector, que Rachel Gutiérrez irá abordar no dia 23 de Maio na Sociedade Portuguesa de Aurores, às 18H30M.

CLARICE L

Brevíssima nota biográfica:

Clarice Lispector nascida na Ucrânia, em 1920, durante a viagem de emigração da família em direcção à América. Chegam ao Brasil em 1922. Estudou piano, hebraico e iídiche. Aos dez anos, depois de uma ida ao teatro escreveu “Pobre menina rica”, peça em três atos, cujos originais foram perdidos. Aos 16 anos já lê os grandes escritores brasileiros e aos 19 entrou na Faculdade de Direito da Universidade do Brasil.

Com 20 anos seu conto, Triunfo, foi publicado, seguindo-se outros. Começou a trabalhar como redatora e repórter da Agência Nacional. Tendo casado com um diplomata viveu em várias zonas do Brasil, indo, em plena II Guerra para Nápoles, viajando por vários locais da Europa. Voltou um ano mais tarde para o Rio de Janeiro. Com 32 anos foi para Nova York onde viveu oito anos.

Aos 34 anos uma obra foi traduzida para francês, Perto do coração selvagem, com capa de Henri Matisse. Com 39 anos, separou-se do marido e regressou ao Brasil com seus filhos. Os livros que vão sendo publicados são inúmeros.

Sofreu um acidente, aos 46 anos, com um incêndio em sua  casa. Continuou a escrever, publicar, receber prémios, fazer conferências, no Brasil e estrangeiro. Morreu, no Rio, no dia 9 de Dezembro de 1977, um dia antes do seu 57° aniversário.

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