PALESTRA DE RACHEL GUTIÉRREZ, 23 DE MAIO, 18H 30M, SOCIEDADE PORTUGUESA DE AUTORES por Clara Castilho

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É ainda sobre um outro “Espelho”  que Rachel Gutiérrez nos irá falar. Desta feita, de Joaquim Machado de Assis, outro grande escritor brasileiro:

[…] Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro… […] A alma exterior pode ser um espírito, um fluido, um homem, muitos homens, um objecto, uma operação. […] ´claro que o ofício dessa segunda alma é transmitir a vida, como a primeira; as duas completam o homem, que é, metafisicamente falando, uma laranja. Quem perde uma das metades, perde naturalmente metade da existência. […] O alferes eliminou o homem, durante alguns dias as duas naturezas equilibraram-se; mas não tardou que a primeira cedesse à outra; ficou-me uma parte mínima de humanidade. Aconteceu então que a alma exterior, que era dantes o sol, o ar, o campo, os olhos das moças, mudou de natureza, e passou a ser a cortesia e os rapapés da casa, tudo o que me falava do posto, nada do que me falava do homem. A única parte do cidadão que ficou comigo foi aquela que entendia com o exercício da patente; a outra dispersou-se no ar e no passado”.

MACHADO DE ASSIS

Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908) foi cronista, contista, dramaturgo, jornalista, poeta, novelista, romancista, crítico e ensaísta. É considerado o maior escritor do país e um mestre da língua. De origem humilde, não teve acesso a cursos regulares mas empenhou-se em aprender.

Foi com 16 anos que publicou o seu primeiro trabalho literário, o poema “Ela”. Trabalhando como tipógrafo na Imprensa Nacional, escrevia no tempo livre. Mais tarde, fez parte da redação de diversos jornais e revistas. Seu primeiro livro, de 1861, tem o original título de Queda que as mulheres têm para os tolos, e o de poesias em 1864, sob o título de Crisálidas.

Desempenhou vários cargos em ministérios. Escreveu e publicou muitas obras. Participou na criação Academia Brasileira de Letras, em 1897,tendo sido seu presidente cargo que ocupou até sua morte. Por sua importância, a Academia Brasileira de Letras passou a ser chamada de Casa de Machado de Assis.

 

 

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