POESIA AO AMANHECER – 451 – por Manuel Simões

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            SÍLVIO CASTRO

              ( 1931 – 2014 )

            EM LIBERDADE

            Em liberdade respeito toda clara regra gramatical,

            nela cavalgando não a passos lentos, mas pleno de

            talentos conquistados e bem usados

            para esgramaticar-me quando canto sonhos.

 

            Em liberdade exprimo sentimentos em palavras

            correntes, certas e conviventes,

            deixando-as para trás por aquelas outras

            ardentes que correm sempre em frente

            ao sentir meu espaço respirar em afano

            por desencontros, urtos, muros arcanos.

 

            Em liberdade proclamo toda verdade,

            mais que verdade,

            veracidade

            que me liga com multicolores raios

            de luz radiante sempre a quem

            eu fixo e falo à minha frente.

 

            Mais que a mim procuro o outro

            mostrando-me todo em liberdade.

            (de “Poemas Construtivos”)

Poeta, romancista, crítico de literatura e de arte, ensaísta e tradutor. Transferiu-se para Itália em 1962 e ali viveu como docente universitário de literaturas portuguesa e brasileira. Autor de ensaios literários de referência e de um romance (“Memorial do Paraíso”) a partir da “Carta de Pêro Vaz de Caminha”. Obra poética: “Infinito Sul” (1956), “Sol e Só” (1962), “Tempo Veneziano” (ed. bilingue, 1967), “Poesia Reunida” (1998), “Gira mu(o)ndo” (2003), “Poemas Construtivos” (2007).

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