Campeonato do Mundo de Futebol – por Carlos Loures

Imagem3O futebol tem constituído um tema tabu neste blogue. E não se pense que a nossa posição tem alguma coisa a ver com o elitismo de quem considera o futebol um tema menor. Como pode ser menor uma modalidade desportiva que apaixonou intelectuais como Albert Camus, que foi guarda-redes profissional da equipa júnior do Racing Universitaire d’Alger, como Ernesto Sábato, adepto fervoroso do Boca Juniors, como Manuel Vázquez Montalbán, adepto do Barça e autor de obras sobre futebol, Umberto Eco, Eduardo Galeano…

Evitamos o tema, por ser fraccionante e porque o fanatismo clubista se sobrepõe muitas vezes à lucidez. Abordámo-lo de forma exemplarmente neutra quando Carlos Godinho se encarregou de uma rubrica semanal. A razão por que teve de deixar de publicar essa secção é elucidativa. Dado o cargo directivo que ocupa na Federação, tudo o que escrevia, por mais asséptica que fosse a   matéria tratada, era objecto de especulação jornalística e não só. Temos publicado um ou outro artigo sobre grandes jogadores – Peyroteo, Pepe, Pinga, Eusébio… Envolvermo-nos na discussão sobre a actualidade do futebol profissional em Portugal, nem pensar. No entanto, decidimos abrir uma excepção para o Campeonato do Mundo que amanhã começa. E, nesse sentido, tínhamos combinadocom o Sílvio Castro que ele iria «cobrir» o Campeonato do Mundo, escrevendo crónicas semanais sobre a Copa. Trocámos diversas mensagens e chegámos a um consenso sobre os limites a respeitar – tenho a certeza de que o Sílvio iria fazer crónicas exemplares. Numa homenagem à sua memória, um grupo de amigos vai escrever por ele as crónicas. Nas próximas sextas-feiras às 20 horas, falaremos sobre o Mundial. Não tão bem quanto ele o faria. Sexta-feira, dia 13. António Gomes Marques falará sobre a cerimónia de abertura, sobre o Brasil-Croácia (e não só). No dia 20,será a minha vez, seguir-se-ão o João Machado, o Manuel Simões e, finalmente, o Paulo Rato. Nenhum de nós tem experiência de jornalismo desportivo, Mas a amizade faz milagres. A de quem escreve e a de quem lê.

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