POESIA AO AMANHECER – 471 – por Manuel Simões

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ALEXEI BUENO

 ( 1963 )

 

            TRÓIA

 

            Tudo houve aqui, e aqui era tão pouco…

            Nem portais, nem palácio, nem muralhas

            Viram tais blocos de adobes e palhas,

            Nem mesmo Aquiles rouco

 

            De dor, nem um estranho cavalo oco…

            Só ele, o Cego, os viu. Tantas batalhas

            De após, entre milhões, foram migalhas

            Junto a esse sonho louco.

 

            Vós, mortos de outras guerras, sois as lendas

            Perto desses que nunca guerrearam.

            Mortal, nunca te prendas

 

            Demais ao que achas que é. Quem faz o mundo

            É o sonho. Os olhos do cego fitaram

            O humano sol mais fundo.

 

            (de “Via Estreita”)

 

Poeta, ensaísta e tradutor. Com Alberto da Costa e Silva organizou a “Antologia da poesia portuguesa contemporânea – um panorama” (1999). Da sua extensa obra poética: “As escadas da torre” (1979-81), “Poemas gregos” (1984), “Magnificat” (1990), “A chama inextinguível” (1992), “Poesia Completa” (2013).

 

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