LIÇÃO SOBRE O CAPITALISMO MODERNO – por JÚLIO MARQUES MOTA

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Lição  sobre o capitalismo moderno –  Introdução

Esta é uma peça basicamente feita a partir de diversos artigos sobre o assalto ao poder soberano feito por verdadeiros abutres a coberto das leis permissivas  criadas e mantidas pelos estados democráticos. Ao longo da minha vida de professor universitário e das muitas leituras então feitas, encontrei diversas personagens que são em si-mesmas uma perfeita ilustração do que é o neoliberalismo. De entre estas personagens que nos deram verdadeiras lições sobre o que é a economia neoliberal, lições que não vêm nos manuais de Economia mas nos processos dos Tribunais, sublinho Ernest-Antoine Seillière, antigo Presidente do grupo Wendel, antigo Presidente do MEDEF, associação do patronato francês,  e também um antigo membro do Steering Committee of the Bilderberg Group, sublinho Marc Rich, o homem que Clinton  amnistiou e foi o seu último acto de Presidente, e que para baralhar o nosso imaginário terá casado com a neta da Pasionária, sublinho o Presidente de Glencore e Xstrata dita agora Glenstrata,  Ivan Glasenberg, capaz de criar condições de fome generalizada pelo seu trabalho nos mercados de futuros sobre cereais,  mas nenhuma destas figuras se assemelha, nem de longe  nem de perto,  à figura central nesta peça, Paul Singer, o homem que põe nações de joelhos.

Mas uma vez que esta peça pretende ser uma ilustração do que é o neoliberalismo, como doutrina e como prática, não poderei deixar de a dedicar a dois antigos alunos meus:

1. ao primeiro,  um antigo aluno meu, F. de C.,   a quem dei a nota máxima, 18 em 20,  de quem depois fui colega e amigo ainda hoje,  homem que defende os ajustamentos da sociedade portuguesa,  criados pelas políticas de austeridade e com  estas impostas pela lógica do poder aos mercados, como inevitáveis e como necessários. Talvez ele assim aprenda a razão dos ajustamentos que estão a destruir a sociedade portuguesa.

2. ao segundo,  que recentemente deixou de pertencer à FEUC,  D. A. E que está  hoje a traçar possivelmente a sua trajectória de doutoramento numa outra Universidade, bem mais jovem que o anterior na idade, que pensa poder solucionar os problemas do mundo com   a sua capacidade brutal de dádiva aliada esta a muitas confusões sobre o que são os mercados, sobre o que é dinâmica do capitalismo, sobre o que são os ajustamentos necessários.

Faço votos de que o texto lhes tire algumas ilusões sobre o que é o ensino universitário nas Faculdades de Economia e sobre o que é o neoliberalismo.

Coimbra, 3 de Julho de 2014.

Júlio Marques Mota

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Uma lição de economia das que não se escrevem nos manuais mas sim nos tribunais: reflexões à volta da Argentina

Parte I

1. Figuras que escrevem as lições do que é o neoliberalismo não nos manuais mas sim  nos tribunais

Ernest-Antoine Seillière

neoliberais - I

Marc Rich

neoliberais - II

Ivan Glasenberg

neoliberais - III

2. Um retrato do capitalismo moderno através de Paul Singer

Sobre o fundo abutre do multimilionário Paul Singer ou antes uma história dos nossos tempos, uma história do que é, na realidade, a soberania dos mercados tão defendida pelos leais servidores sediados em Bruxelas, em Berlim, em Washington ou algures.

Encontrem cargueiros, encontrem barcos de guerra, confisquem-nos diz o nababo do hedge fund que se tornou o mais poderoso colector de fundos dos Congressista Republicanos e destinados a serem utilizados em  especulação.

neoliberais - IV
Paul Singer tem sido descrito como um especulador terrorista pela sua persistência e capacidade de utilização de armas de pressão sobre governos e empresas em dificuldade- daí alcunhados de abutres…

Jacob Kepler/Bloomberg/Getty Images

Quando os republicanos fazem as suas peregrinações a Wall Street para que o dinheiro os ajude a regressar no próximo ano ao Senado, não pode haver nenhum cartão de recomendação mais importante do que o que seja escrito por Paul Singer. Este multimilionário, na casa dos 69 anos, um hedge fund com casa em Beresford, uma desmedida construção italiana do renascimento no Central Park ocidental cujos residentes célebres incluíram Jerry Seinfeld, Glenn Close e Helen Gurley Brown, pode indicar e sob sua recomendação muitos dos jogadores na alta-finança que investem em fundos especulativos. Só com um jantar conseguiu-se angariar $1,4 milhões e Paul Singer ele mesmo não teve nenhum problema em passar um cheque de $1 milhão para o Political Action Committee, a super-PAC. Foi descrito como “um verdadeiro terrorista a colectar fundos para especular” pela sua persistência e pela força em saber virar os argumentos e os adversários, uma capacidade que o ajudou a conseguir uma grande movimentação estratégica entre os grandes dadores da finança que favoreceram Obama em 2008 mas que agora apoiam o partido Republicano, o GOP.

HEY Grande Despesista

Cada um membro do congresso eleito recebeu no outono passado dinheiro obtido a partir do centil dos mas ricos de entre os 1 por cento dos mais ricos, uma elite minúscula dos maiores dadores a que pertence Paul Singer.

Percentagem da população que representam estes grandes dadores na população : 0.01%

Percentagem de todos os donativos da campanha de 2012 que eles fizeram : 28%

Quantidade total que eles deram aos candidatos: 410 milhões

Para as super-PACs: $500 milhões

Percentagem dos donativos de campanha que foram dados aos Republicanos: 59%

Percentagem dos grande donativos que vieram de Wall Street: 25%

Grandes empregadores que são grandes dadores: Goldman Sachs

13º- maior empregador: Singer’s Elliott Management

Total dado pelos megadadores de Goldman Sachs: $4,7 millhões

Total dado pelos megadadores de Elliott’s: $4,4 milhões

Singer tem um ar profundamente professoral e barba curte e muito arranjada que lhe dá uma leve semelhança com o Presidente do Fed Ben Bernanke. Sendo um liberal extremiscom tem raízes políticas na época de Barry Goldwater, ele despreza a vontade da administração Obama para apertar a regulamentação financeira. No jantar de 2010 para o Instituto de Manhattan, um think tank conservador a cuja direcção preside, criticou os “ataques indiscriminados promovidos pelos líderes políticos contra tudo que se move no mundo das finanças.” O fundo Elliott de US $ 21 mil milhões gerido por Singer é uma das muitas empresas que enfrentam uma supervisão mais apertada devido à Lei Dodd-Frank de 2010, os serviços financeiros rápidos que revêm o que eles gostariam que fosse revogado. Elliott tem sido chamado de um “fundo abutre” porque uma parte dos seus lucros provêm da comprar de dívida dos países ou empresas em dificuldade e adquiridas já em situação de forte desconto, em saldo, em que depois joga duro — incluindo, num dos casos, a apreensão do navio-escola da Marinha da Argentina — para obter o pagamento da dívida…

A combinação do homem das grandes operações, das ligações importantes e poderosas, de forte influência em círculos políticos do GOP faz de Paul Singer um tipo de ameaça tripla. Singer é o grande e muito poderoso interveniente no mundo financeiro republicano,” diz um operador de mercado que o conhece. “Envolveu-se com quase tudo. A revista “Fortune” descreveu-o como “um defensor apaixonado dos 1%.”, ou seja dos mais ricos. Na prática, refere um dador conservador, “se alguém assina cheques tão grandes quanto os que Paul Singer assina então é porque está perto de ser como ele, um homem muito poderoso ”.

Singer começou a sua carreira como um megadador no ciclo da campanha de 2004, quando ele ajudou a levantar dinheiro de Wall Street para Swift Boat Veterans for Truth, o grupo que atacou o registo de John Kerry na guerra do Vietname. Em 2007, ele apoiou a candidatura presidencial de Rudy Giuliani, até ao ponto de emprestar ao ex-prefeito de Nova York, o seu próprio avião. Singer também enfiou secretamente 175.000 dólares no apoio a uma proposta de lei eleitoral na Califórnia para que a alocação de votos se fizesse numa base proporcional e não na base de “winner-take-all” como actualmente. — uma manobra estratégica projectada para deslocar alguns eleitos dos democratas para os republicanos, para o GOP. Paul Singer foi fundamental na escolha de Rep. Paul Ryan do Wisconsin, um companheiro que também é fiel seguidor do capitalismo do laissez-faire, laissez-passer como foi fundamental na opção Mitt Romney em 2012 para vice-presidente; Dan Senor, agora um alto conselheiro em Elliott, foi um dos responsáveis de topo da equipa responsável pela política externa da campanha. Senor serviu como porta-voz de Coalition Provisional Authority durante os primeiros dias da ocupação do Iraque, onde ele uma vez disse: “bem, extra-oficialmente, Paris está em chamas. Mas no registo, segurança e estabilidade estão a regressar ao Iraque”).

(continua)

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Ver:

http://www.motherjones.com/politics/2013/07/paul-singer-elliott-republican-fundraiser

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