EDITORIAL – NEM TODOS OS JUDEUS SÃO SIONISTAS

logo editorialO povo palestiniano está a ser massacrado. Uma criminosa política de genocídio está a ser desenvolvida pelos políticos israelitas. As notícias sobre os crimes que estão a ser cometidos caem em catadupa sobre a opinião pública e, como geralmente acontece nestas situações, a abundância de informação anestesia o sentido crítico e pode banalizar o horror. Sabe-se que a solução do problema da Palestina não é fácil. O direito histórico dos israelitas sobre o território em que estabeleceram o seu estado, não existe. Segundo um professor judeu da Universidade de Telavive, Slhomo Sand, a própria etnia hebraica é uma invenção. Sabe-se que, rodeado de países hostis, ao menor sinal de fraqueza, o Estado de Israel será destruído. A consciência dessa realidade leva a maioria dos israelitas a apoiar os criminosos. Mas, vindas do interior,  há vozes que se erguem corajosamente, verberando os crimes dos falcões hebraicos.

Hannah Arendt (1906-1975), é uma dessas vozes. Nascida na Alemanha, é uma figura que, embora polémica e com pormenores biográficos que a fragilizam (a sua ligação amorosa com o filósofo Martin Heidegger), possui um inquestionável valor. Em As Origens do Totalitarismo (1951), estuda as ideologias totalitárias, analisando-as em função da sua praxis. Criou controvérsia ao comparar estalinismo com nazismo, baseando-se nas formas como em ambos os casos se fez a manipulação das massas, reduzidas pelo terror ao acriticismo. Estudo pertinente para explicar também a política israelita.

 Idith Zertal (1944), professora de História e Filosofia Política na Universidade de Basileia, nascida num kibutz de Ein Shemer, é a autora de A Nação e a Morte (que consultámos na tradução em castelhano –  La nación y la muerte. La Shoah en el discurso y la política de Israel) shoah é palavra hebraica para Holocausto. Idith Zertal, ao referir-se à ocupação dos territórios palestinianos, diz:. «Governar outro povo de uma maneira tão brutal é devastador também para nós». E condena o recorrente argumento do Holocausto como explicação e justificação para tudo, inclusive para o facto, de usarem sobre outros uma violência brutal, assumindo apesar disso o papel de eternas vítimas.

Shlomo Sand (1946), de que falamos acima, veio com a sua obra Como foi inventado o povo judeu (2008) repor na ordem do dia um tema que tem sido abordado em registos que percorrem toda a paleta cromática das opiniões, das posições ideológicas, das crenças religiosas. O livro de Sand, foi originalmente editado em hebraico Matai ve’eich humtsa ha‘am hayehudi? (Quando e como foi o povo judeu inventado?). A edição valeu ao autor insultos e ameaças.

A notícia ontem divulgada de que, numa carta endereçada ao primeiro ministro Binyamin Netanyahu e ao público israelita, 60 jovens de ambos os sexos e com idades entre os 16 e os 19 anos, formalizam a sua intenção de recusar servir nas forças armadas por não quererem servir num “Exército que comete crimes”. E declaram que preferem «ir para a prisão”.A

O Holocausto não foi uma mentira; foi um crime odioso. Porém, foram os nazis e não a Humanidade no seu conjunto quem cometeu esse crime. Israel procede como se a shoah lhes tivesse aberto um crédito ilimitado e que lhes permite cometer, por seu turno, crimes odiosos. Os seis milhões de pessoas que morreram sob a acusação de ser judeus, eram na verdade alemães, russos, húngaros, polacos, que professavam a religião judaica. Morreram por pertencer a uma etnia que não existe e em nome de uma história que a ciência histórica desmente. Porém, o embuste resultou numa realidade trágica – mais de oito milhões de seres humanos rodeados de inimigos prontos a aniquilá-los. As vozes que vindas do interior de Israel se erguem contra a guerra e, sobretudo, os jovens que se opõem a uma política criminosa, são uma réstea de luz. A esperança de que um dia ali possam viver em paz palestinianos e judeus.

 

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