O mundo continua à beira do abismo. Um dos grandes problemas é conseguir saber o que exactamente se vai passando por esse mundo fora. Acontece cada vez mais que, hoje no Médio Oriente e na Europa Oriental, amanhã no Extremo Oriente, na América Latina ou em África, muitas das ocorrências noticiadas na grande comunicação social, passado mais ou menos tempo, são desmentidas ou, pelo menos, apresentadas de maneira diversa da utilizada quando inicialmente foram trazidas a público. Outras são sistematicamente apresentadas de modo diferente conforme o quadrante de onde provêem.
Alguns casos são gravíssimos, e não reveste qualquer exagero afirmar que as deturpações motivadas por fanatismos, sobreposição de interesses privados ao interesse público ou outras razões, põem em risco a vida e o bem-estar de muitas pessoas. Um dos casos mais flagrantes é da Palestina e dos seus habitantes. A tese de que os israelitas entram em conflito com os palestinianos apenas para se defenderem é aceite como boa por muita gente que, na melhor das hipóteses, e provavelmente para mostrar boa vontade, vai acompanhando as suas ideias de uns vagos apelos à paz. Querer que saibam o que foi a Declaração Balfour, resumir o processo de expulsão dos palestinianos das suas terras ou saber o que foi a Nakba, é muito complicado para quem, há dezenas de anos, tem sido bombardeado com ideias contrárias sobre quem é bom e quem é mau. O resultado está á vista: a opinião pública das potências ocidentais, com raras excepções, aceita acriticamente os slogans israelitas de que massacra civis em grande número, e obriga populações inteiras a sair das suas terras, simplesmente para se defender. A maior parte da população israelita é composta por imigrantes ou por filhos de imigrantes. Este facto não chega sequer a ser devidamente analisado. As consequências estão à vista.
Outro caso que temos em mãos é o do avião que terá sido abatido na Ucrânia, sobre as zonas sob domínio dos revoltosos chamados de pró-russos, durante o voo MH 17. De teoria da conspiração em teoria da conspiração já há quem fale numa tentativa de assassinar Putin. A propósito, permitimo-nos aqui perguntar como vão as pesquisas para encontrar o outro avião da Malaysia Airlines, o do voo MH 370, que desapareceu no Oceano Índico (?) em Março passado. Com certeza que insistimos que se faça tudo para se saber, exactamente, o que se passou agora, no leste da Ucrânia. Mas já agora, fazemos a mesma insistência no sentido de que se faça o mesmo em relação aos dois voos. E propomos a leitura dos textos que podem ser acedidos pelos dois links abaixo. No segundo, propomos especial atenção à análise de Paul Craig Roberts. Não pretende ter toda a verdade, claro, mas chama a atenção para muitas incongruências ocorridas no tratamento desta tragédia.