EDITORIAL – SAUDADES DO FERNANDO CORREIA DA SILVA

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O Fernando Correia da Silva deixou-nos no passado dia 18 de Julho. Partiu como ele queria, sempre decidido, sem chatear os outros, e que não o chateassem também.  A família ficou inconsolável, e os amigos também. Ele também não deve ter ido contente, pois gostava muito de viver. Mas com certeza que não leva a mal que a gente hoje fale um bocado sobre ele. Se calhar pergunta lá de cima: vocês ainda acreditam em patranhas? No céu? Nos anjinhos? Mas fica contente, podem ter a certeza

Imagem1Para se falar sobre um escritor há que falar da sua obra. Até porque é a melhor maneira de o conhecer. E o Fernando, para além do romance e da poesia, cultivou uma modalidade muito especial, a biografia. Na biografia, como sabem, fica-se a conhecer o biografado, mas também o biógrafo. E o Fernando deixou-nos o Vidas Lusófonas, de que foi o editor, mas também um dos autores. Só ali estão mais de trinta biografados para a história. Falemos de um amigo que ele biografou, o Mário Pinto de Andrade. Pessoa notabilíssima, de enorme competência, que atravessou uma vida atribulada, sempre fiel aos seus ideais, e infelizmente nos deixou cedo. O Fernando conta-nos quem foi “Um sobretudo de pelo de camelo a andar sozinho pela Rua Garrett”, que o ajudou a conhecer a Literatura Portuguesa, e se manteve fiel aos princípios e às amizades. Alguém que não podemos esquecer. A amizade transparece no escrito, tal como as afinidades entre o biografado e o biógrafo, que muito conviveram na juventude e nunca se esqueceram. Ora leiam em:

http://www.vidaslusofonas.pt/mario_pinto_andrade.htm

Mas não pensem nem um segundo que o Fernando só brilhava a biografar as pessoas de quem gostava. Se duvidarem, leiam a biografia de Salazar, e digam se ele não descreveu o homem com um traço certeiro. Continuam entre nós muitos salazaristas, uns envergonhados, outros descarados, e também imitadores de primeira, segunda, e por aí a fora. Não terão dúvidas em reconhecer o personagem hipócrita e sádico que ali está, que nos pisou durante 48 anos, e nos deixou um legado terrível. Claro que não ficarão a gostar do biógrafo, mas o Fernando está-se bem marimbando. E já se marimbava antes  de ir para o céu (que ele está lá, mas não quer que se saiba). Aos que nunca gostaram de Salazar, que serão a grande maioria (esperemos que sim…), o Fernando deixa-lhes um resumo magistral de como  o botas deu um safanão a tempo e pôs cada coisa no seu lugar, na sequência do 28 de Maio de 1926.  Ora leiam:

http://www.vidaslusofonas.pt/salazar.htm

Um abraço, Fernando. Um dia destes, a gente apanha-te.

 

 

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