POESIA AO AMANHECER – 499 – por Manuel Simões

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MARIA ALEXANDRA DÁSKALOS

( 1957 )

POEMA DO TEMPO SUSPENSO

A morte esperou-nos à porta.

Pilharam-nos as casas

E disso tudo fizeram um barco

E o barco navegava no fundo de um poço.

A quilha de madeira bate na pedra fria

Navegamos para norte norte norte

E a tempestade abafa o choro das crianças.

Antes de enlouquecer digo-vos

– a pátria já não é nossa

mas não será vossa.

(Ao fim da tarde vou colher figos

junto ao poço)

(de “Poesia no Porto Santo/2004”)

Poetisa e crítica literária angolana. Colaboradora da revista “Angolé” (2002-2003). Da sua obra poética: “Jardim das Delícias” (1991, ed. portuguesa 2003), “Do Tempo Suspenso” (1998), “Lágrimas e Laranjas” (2001).

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