NO VERÃO, PENSAR NO MAR – EXPOSIÇÃO TEMPORÁRIA “ARTES DE PESCA” – no MUSEU DE ETNOLOGIA, Av. da ILHA da MADEIRA, LISBOA – por Clara Castilho.

Enquanto muitos de nós estamos gozando os prazeres dos banhos marítimos e comendo peixes grelhados em casa ao ar livre, ou nos restaurantes, pus-me a pensar naqueles que vivem no mar e do mar.

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A este propósito, está patente no Museu de Etnologia, a exposição temporária “Artes de Pesca. Pescadores, normas, objetos instáveis”.

Num museu deserto, pude deambular por entre os objectos expostos e ouvir as gravações de relatos relacionados com o assunto. Que vida dura! E quão pouco pagamos pelo produto desta actividade. Pergunto-me se alguém se ofereceria para a fazer, senão os que nascem em famílias onde ela o labor.

No texto do blogue do Museu, podem ser lidas as seguintes informações:

“Exposição que resulta de uma investigação conduzida no terreno, a partir de 2004, em estreita relação com um grande número de pescadores, de muitos locais da costa, associações e instituições que intervêm no domínio das pescas. Dela resultou a constituição de uma coleção de artes de pesca que agora é posta em articulação com a coleção dos anos 1960, já existente no museu. Muitas foram oferecidas pelos pescadores, nossos interlocutores. Outras, resultaram de acordos de colaboração com as várias capitanias marítimas, o que permitiu transferir para o museu artes e instrumentos de navegação apreendidos porque considerados em situação ilegal. A documentação produzida ao longo dos anos de pesquisa dá conta dos discursos dos pescadores sobre as normas que condicionam a sua atividade e se refletem na própria materialidade dos objetos, sua definição e instabilidade: permitidos ou não conforme o momento do ano, os locais, as leis que se foram sucedendo e até a compreensão e avaliação casuística. A recolha procurou preencher a maior diversidade de artefatos e tipos de materiais, técnicas, processos e funcionalidades, sobre a qual elaborar um sistema classificatório de referência para o seu inventário nos museus. O fio condutor da exposição é, por isso, também uma proposta de classificação para as artes de pesca, tomando em conta outras já produzidas por diferentes autores e instituições. A humanidade das práticas de pescas e a compreensão dos seus contextos sociais e organização do trabalho estão expressas nas filmagens feitas durante os anos de pesquisa, observação e constituição da coleção e nas imagens dos pescadores que no início do século XX passaram a ter a sua fotografia nos registos de inscrição marítima e agora habitam a exposição”.

Vá lá, se está em Lisboa, vá até lá e veja esta e outras interessantes exposições.

Para contactos e outras informações vá a:

http://mnetnologia.wordpress.com/

 

 

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