O outro Espírito, dizem, desceu dos céus e concebeu sem pecado, em corpo virgem.
Deixou para os que se lhe seguiram as mundanidades e o vil metal.
E os novos Espíritos, menos santos se mostraram, e, ofuscados pelos auto-atribuídos talentos, entregaram-se com afinco e persistência à circulação monetária virtual entre offshores e contas maquilhadas, qual Houdini fazendo desaparecer a matéria, até restar apenas a dívida que acabaremos a pagar, mesmo que digam que não.
Parece que, em seu nome nada têm, qual franciscanos, embora sem recolher a um qualquer mosteiro ou fazer voto de pobreza; simplesmente, a modéstia e a humildade impedem-nos de registar e anunciar como seu o que, melhor, fica guardado noutros nomes e noutras terras.
A habilidade e o contorcionismo de que, eles, amigos e compadres, já mostraram ser capazes é tanta que não surpreenderia que, passada a tempestade e deixada assentar a poeira, no futuro, se revelasse que, em atípico sindicato juntando anjos e demónios, santos e pecadores, lavada a dívida, dispensando ou não parceiros e testas-de-ferro, a família continuava dona de muito disto tudo.
Aparições, exorcismos, absolvições e indulgências, procuram-se, pela melhor oferta.


É que o bloco central em perspectiva tem todas as condições e não menos desejos de fazê-los ainda mais santos e, sobretudo, salvar-lhes o cacau e o coiro.CLV