NESTE DIA… Em 26 de Agosto de 1914, há cem anos, nascia o escritor Julio Cortázar

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Hoje, e nos dias anteriores, e talvez nos a vir, o nome de Julio Cortázar consta de muitos artigos. Em Portugal e um pouco por todo o mundo. É o dia em que se assinala o centenário do seu nascimento. Mas em qualquer outro dia se poderia falar deste escritor, abordando os mais variados aspectos da sua obra.

Comecemos, apesar de aqui só poder ser um pequeno assinalar da data.

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Família argentina, 1914, a viver em Bruxelas. Foi aí que nasceu o pequeno Julio, em plena ocupação alemã, no início da Primeira Guerra Mundial.  Só com quatro anos foi viver para a Argentina. Os pais separaram-se e o rapazinho fica a viver com três mulheres: a mãe, uma tia e uma avó. Incentivado pela mãe, a leitura cedo passou a ser uma das actividades preferidas. Conta-se que na sua juventude um médico o aconselhou a, durante pelo menos seis meses, a ler menos e a sair de casa para apanhar sol!

Em 1935 obteve o título de Professor Normal de Letras e iniciou estudos na Faculdade de Filosofia e Letras, mas por pouco tempo, saindo para trabalhar, devido a questões financeiras. Três anos mais tarde, publicou a sua primeira colecção de poemas, Presencia com o pseudónimo de Julio Denis.

Em 1947, com a ajuda de Jorge Luis Borges, que sempre será uma pessoa importante na sua vida e na sua obra, publicou o conto Casa Tomada e o seu primeiro do livro Bestiario, na revista Anales de Buenos Aires.

Em 1951 decidiu ir viver para Paris por não concordar com a ditadura vigente no seu país, tendo uma vida difícil, com graves problemas económicos. É desta vivência que saiu Rayuela (O jogo do mundo), só concluído anos mais tarde. Um dos seus trabalhos foi traduzir toda a obra em prosa de Edgar Allan Poe, ainda hoje considerada como a melhor tradução em espanhol. Começou, também, a trabalhar na UNESCO como escritor.

Em 1961 visitou Cuba, viagem que lhe fez perceber melhor a história da América Latina e passar a ser solidário com todas as resistências contra as ditaduras no seu continente. Congressos, comissões de apoio, viagens por onde fosse preciso, ali estava Julio Cortázar. Nesse mesmo ano a editoria Fayard publicou a primeira traducção de uma sua obra –  Los Premios.

Em 1970 esteve no Chile, a convite do governo de Salvador Allende e em Abril de 1974 participou numa reunião do Tribunal Russell II reunido em Roma para examinar la situação política na América Latina, em particular las violações dos direitos humanos.

Em 1981 o governo de François Miterrand deu-lhe a nacionalidade francesa. A sua última obra é Os Autonautas da Cosmopista (1982), escrita em colaboração com sua companheira, Carol Dunlo. Deixou três volumes de correspondência que reúnem suas cartas aos amigos, onde se pode sublinhar Gabriel García Márquez e Mario Vargas Llosa. Morreu em Paris, de leucemia, em 1984.

Lembremos algumas características pessoais de Cortázar, que se podem ver nas suas obras:  era um grande fã de jazz, o que se denota no fluir da sua escrita e do boxe, assunto que abordou no conto Torito, do livro Final de jogo, de 1956; dava grande importância ao jogo enquanto actividade lúdica, não só das crianças mas de todos, o que se pode ver em O jogo da amarelinha.

É difícil deixar aqui todos os títulos das suas obras. Mas fixemo-nos nalguns aspectos considerados mais relevantes. Quanto à sua forma de escrita, é de assinalar a leitura, ainda em Buenos Aires, do livro de Jean Cocteau, Opio, que o introduziu na visão do surrealismo. Rompeu com o modelo clássico, através de uma narrativa que escapa à linearidade temporal e onde os personagens adquirem uma autonomia e uma profundidade psicológica raramente vistas. A sua obra questiona o convencional. Independente do género literário, os simbolismos, acontecimentos surreais e extraordinários, povoam as suas obras, característica que enquadrou o autor dentro do realismo fantástico. Cortázar deixa a dúvida no ar, no desfecho de cada conto.

Ele explica:  “O conto tem que chegar fatalmente ao seu fim, como chega ao fim uma grande improvisação de jazz ou uma grande sinfonia de Mozart. Se não se detiver na hora certa, vai tudo para os diabos”.

 

 

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