NESTE DIA… Em 3 de Setembro de 1940, nasceu Eduardo Galeano



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galeano3Eduardo Galeano nasceu no dia 3 de Setembro de 1940 em Montevideu – é um escritor e jornalista uruguaio. Autor de mais de 40 obras traduzidas em diversos idiomas, a mais conhecida das quais é «Las venas abiertas de América Latina», 1971 («As Veias abertas da América Latina», com prefácio de Isabel Allende, edição de Paz e Terra, São Paulo, 2007).Preso em 1973, quando do golpe militar, exilou-se depois na Argentina, de onde, em 1976, com a criminosa ditadura de Videla, teve também de fugir, pois estava nas listas dos esquadrões da morte. Refugiou-se em Espanha, regressando ao Uruguai quando, em 1985, a democracia voltou. No seu livro «Crónicas 1963-1988», publicou o texto «Defensa de la palabra», no qual inspiro a presente crónica – aconselhando vivamente a leitura das obras deste lúcido escritor latino-americano). Este texto mereceria uma análise mais aprofundada, porque referindo-se à América Latina, tem um alcance universal, abordando problemas que afectam e afligem todos os que usam a palavra como arma e como ferramenta de trabalho. Transcrevemos dois pequenos excertos deste grande livro:

«Escrevemos a partir de uma necessidade de comunicação e de comunhão com os outros, para denunciar o que dói e partilhar o que dá alegria. Escrevemos contra a própria solidão e contra a solidão dos outros. Supõe-se que a literatura transmite conhecimento e actua sobre a linguagem e o comportamento de quem a recebe; que nos ajuda a conhecermo-nos melhor para nos salvarmos juntos. Mas «os outros» é um termo demasiado vago; e em tempos de crise, tempos de definição, a ambiguidade pode assemelhar-se demasiado com a mentira. Na realidade, escrevemos para pessoas com cuja sorte, ou má sorte, nos sentimos identificados, os mal alimentados, os sem abrigo, os rebeldes e os humilhados desta terra, e a maioria deles não sabe ler. Entre a minoria que sabe, quantos dispõem de dinheiro para comprar livros?  – Resolve-se esta contradição proclamando que escrevemos para essa cómoda abstracção chamada “massas”?»[…]  «Lentamente vai ganhando força e forma, na América Latina, uma literatura que não ajuda os outros a dormir e que, pelo contrário, lhes rouba o sono; que não se propõe enterrar os nossos mortos, mas perpetuá-los; que se nega a varrer as cinzas e procura, em contrapartida, acender o fogo. Essa literatura continua e enriquece uma formidável tradição de palavras lutadoras.»

1 Comment

  1. Um abraço de parabéns com a gratidão à vida por sermos contemporâneos de tão ilustre, tão nobre e tão incansável defensor dos direitos humanos, da verdade e da beleza.
    Eduardo Galeano é uma dádiva generosa do Uruguai para o mundo.
    Votos de muita Saúde para o aniversariante e o desejo de que esta data se repita por
    muitos e muitos anos.

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