Recentemente, foram levantadas acusações de fraude fiscal contra Jordi Pujol, o político catalão que foi líder da Convergência i Unió, presidente da Generalitat durante longos anos, e que é tido como defensor da causa da autonomia catalã. Essas acusações de fraude fiscal, que parecem comprovadas, têm estado a ser utilizadas para desacreditar o movimento independentista (designada também com o termo soberanista) . O El País de domingo passado, 7 de Setembro, apresenta os resultados de uma sondagem, feita por Metroscopia, segundo os quais 54 % dos catalães serão de opinião que este caso de corrupção afectará negativamente a iniciativa política a favor da independência da Catalunha.
Este raciocínio assente na ideia de que “se tens um corrupto nas tuas fileiras, vocês são todos corruptos”, não foi inventado ontem. E a sua utilização parece ter proporcionado resultados em muitos casos. Em Portugal, quando se realizaram os referendos sobre o regionalismo, foi apresentado como argumento contra haver casos de autarcas corruptos entre nós, e que seria inevitável que, caso se fizesse a regionalização, o caciquismo local tirasse grande partido da situação. É difícil medir o peso que o argumento teve sobre as opções de voto, mas não custa a crer que teve algum. Fique claro que não procuramos aqui comparar a independência da Catalunha com a regionalização portuguesa, que nunca foi avante. Fazemos sim a denúncia de um método utilizado por quem procura desacreditar um movimento político, metendo de permeio questões que apenas dizem respeito a uma ou algumas individualidades, que por acaso, ou talvez não, estão do outro lado da barricada de quem assim procede.
O El País fala-nos também de outros resultados de sondagens sobre a questão da independência da Catalunha. Entre eles, que 45 % dos inquiridos são de opinião que se deverá acatar a sentença do Tribunal Constitucional sobre o referendo. 23 % que se deverá fazer a consulta popular, qualquer que seja a sentença. E 25 % que se deve procurar uma saída para a situação sem a consulta popular. Obviamente que se podem tirar ilações muito diferentes deste números, conforme as interpretações. Defender que se acate a sentença do Tribunal Constitucional não quer dizer que se esteja contra a independência da Catalunha, nem mesmo contra a realização da consulta. E quanto às respostas que opinam que se deve defender a procura de outra saída, terão sido indicadas alternativas pelos inquiridos? As sondagens são sempre falíveis, por muitas razões, entre elas a maneira como os assuntos são abordados.