CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – A FALÁCIA DO REFERENDO NA ESCÓCIA -por Mário de Oliveira

quotidiano1

Para lá do pânico que causou nos senhores que mandam na Europa do euro, o referendo na Escócia, sim ou não à independência, não passa de monumental falácia política. Ninguém o diz, assim, sem quaisquer subterfúgios, como aqui se escreve/diz. Porque aos comentadores de serviço, todos do sistema de poder, e às elites dos partidos políticos, de direita e de esquerda, umas e outras com devoradora fome de poder, nem que seja uma única cadeira no parlamento do Estado de cada país, cabe-lhes ocultar a verdade/realidade, não pô-la a descoberto. Todos intuem, uns mais, outros menos, o que Jesus, o do Evangelho de João, pratica e por isso anuncia, como boa, mas também exigente palavra de ordem pessoal e política, “Amai/praticai a verdade, que a verdade vos fará livres”. Ora, é precisamente para impedir semelhante passo qualitativo em frente, por parte da humanidade, que há o sistema de poder com as suas minorias privilegiadas, das quais fazem parte todos os comentadores de serviço nos grandes media, todas as elites dos partidos políticos, das grandes e médias empresas, dos sindicatos, dos bancos, das igrejas/religiões. A falácia política é o próprio referendo, sim ou não à independência. Ou o referendo não fosse, como é, criação do sistema de poder e suas minorias privilegiadas. Não pode haver real autonomia/independência dos seres humanos e dos povos, enquanto o sistema de poder se mantiver ao comando do mundo, para cúmulo, e, como hoje já acontece, cientificamente organizado e armado de tudo o que há de mais sofisticado, nas técnicas de dominar as mentes/consciências dos povos. Nestas condições políticas objectivas, para cúmulo, já entranhadas, como um demónio, nas mentes/consciências dos seres humanos e dos povos, resta-nos tão só a obscena possibilidade de escolhermos um, entre dois patrões/senhores, qual deles o mais refinado na perversa arte de nos envenenar, anestesiar, alienar, controlar, dominar. Enquanto não protagonizarmos na história a revolução antropológica-teológica de Jesus, não chegaremos à feliz condição de seres humanos e povos verdadeiramente autónomos, livres, em fecunda relação maiêutica uns com os outros. Havemos de ser sempre esta apagada e vil tristeza, típica dos súbditos!

20 Setº2014

1 Comment

  1. De facto, uma independência que, há séculos foi roubada pela força, não vai conseguir vingar por uma eleição que, na verdade, foi imaginada para, muito democraticamente, garantir a submissão vigente.CLV

Leave a Reply