EDITORIAL –  O CASO PASSOS COELHO.

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Pois parece que o caso Passos Coelho está aqui para ficar. Poderá ainda ter muitos volte-faces, mas não é crível que se atinja uma situação em que todos se considerem esclarecidos e convencidos plenamente da culpa ou da inocência daquele que hoje ocupa  as funções de primeiro-ministro do nosso país. O que vai haver sempre, caso ele seja dado como culpado de infringir a lei  e enganar o país, é quem o defenda, nem que seja com o tradicional encolher de ombros e o triste desabafo  “são todos iguais”, com que se oculta a vontade de nada fazer e deixar andar, e inclusive de no dia seguinte ir votar no partido chefiado por quem foi dado como culpado. Se for absolvido, haverá quem considere que ele o foi indevidamente.

Infelizmente, a história do nosso país em relação a este tipo de situações autoriza a que se pense o pior. A complacência (palavra eufemística!) com os poderosos é uma tradição antiga, e pouca gente aceita que é um obstáculo formidável ao avanço da democracia. Não seria difícil encontrar exemplos. Neste caso, há fortes indícios de que o acusado terá cometido efectivamente os actos em questão. Mas há um aspecto que é essencial: não se pode omitir que as infracções em que terá incorrido, não as teria podido fazer sem uma grande teia de cumplicidades. É importante compreender que a função pública, entendida no seu sentido mais lato, tem de ser profundamente transparente e cem por cento responsável. As coisas não podem ser deixadas à mercê da seriedade individual de cada um. Por isso, eleitos e funcionários têm de ter a sua acção detalhadamente regulamentada e aceitarem ser rigorosamente escrutinados. O estado é tido por muita gente como o principal responsável dos males do país, e não só. Sem querer entrar, neste editorial, numa discussão tão longa, e como ninguém se atreve a propor a extinção do estado (todos sabemos que as privatizações nada têm a ver com esta questão), diremos apenas que no caso Passos Coelho tudo indica que não se cumpriu a lei. E que mais pessoas terão de ser responsabilizadas. Um ponto muito importante: os partidos políticos têm de se habituar a não cobrir os seus militantes, neste tipo de casos.

Entretanto, no extremo oposto da sociedade,  estão os beneficiários do rendimento social de inserção, a prestação social mais regulamentada e fiscalizada no nosso país. Tendo derivado de um “downgrade” do rendimento mínimo garantido, é alvo de campanhas negativas tendentes a equiparar os seus beneficiários a parasitas sociais. Propomos que leiam esta notícia:

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/governo-so-mantem-rsi-porque-uniao-europeia-nao-deixa-acabar-com-ele-1670897

 

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