Reflexão –   O abraço frio do nascer do sol – por Adão Cruz


              

Imagem2

O abraço frio do nascer do solomem tem caminhado ao longo do tempo em profunda relação dialéctica com o meio, confrontando-se com as difíceis questões da sobrevivência, do pensamento e da razão.

 Mas o Homem, em constante relação com o tempo e o espaço, ainda mantém uma profunda ligação com a complexa evolução da descoberta de si próprio. Infelizmente, na barbárie dos dias de hoje, em que os agentes da guerra são impostos ao mundo como agentes da paz, em que a humanidade se alimenta de excrementos a que deram falso sabor a caviar, em que a pulverização das referências éticas se tornou indispensável na confrontação selvagem de carácter dito civilizacional, qualquer abordagem à essência da evolução humana cai de podre.

 Neste morrer do Homem e do entendimento, a arte ainda prevalece como tábua de salvação. A arte não se compadece nem com a abreviatura do silêncio nem com a amplidão do grito. A arte nasce da luta entre sonho e pesadelo. O sonho de ser um pássaro voando na proporção do amor, sem medo nas penas, e o pesadelo de ser um Homem feito à medida do vento, arrastando as asas.

 A arte dá-nos um especial fascínio pela linha do horizonte, que nos permite aquecer o frio abraço do nascer do sol. Não tanto o fascínio da luz mas da sombra que a antecede como antecâmara de esperança. Mas a sombra ameaça crescer para lá da sombra, e a própria arte começa a tornar-se angústia nas mãos desertas e escuras da humanidade.

Adão Cruz

Leave a Reply