EDITORIAL – Que gente é esta?

logo editorialNum artigo de um jornal lê-se hoje que, os seres humanos estão a ficar mais estúpidos. Registamos a «informação» e havemos de a aprofundar. Mas hoje ficamo-nos pelo título. Estava-se já no século XX e, no quadro dramático da Primeira Guerra Mundial, houve suicídios de políticos por se sentirem «desonrados». Terá havido casos em que se veio a apurar que estavam inocentes, mas a voz corrente dava-os como culpados  -imperava o princípio de que à mulher de César não bastava ser honrada – tinha de parecê-lo.

Hoje, quem é absolvido ao abrigo de pormenores jurídicos, de erros processuais e de influências que condicionam a máquina judicial, apregoa a absolvição técnica como prova de inocência, quando se torna evidente que o crime foi cometido. Há um provérbio nómada que diz «roubar só é crime quando se corre menos do que o polícia». Em termos de aforismos reinantes, este parece ter substituído o da esposa de César.

 No caso Tecnoforma, tudo indica que o então deputado Passos Coelho, meteu a pata na poça. Se está inocente, por que, vem uma prescrição selar o assunto? O que está em causa não é o crime em si – o que está em causa é – que primeiro-ministro é este? Cometer um erro pode ser desculpável se o culpado o reconhece, Se mercê da sua posição o erro é abafado, fica para todos os efeitos provada a culpa. Que no mundo do futebol coisas destas aconteçam já é lamentável – que a falta de ética seja padrão comportamental de um chefe de governo é inadmissível.

Que gente é esta a que nos governa?

Gente que invoca a solidariedade nacional para pagar uma dívida que a Nação no seu conjunto não contraiu, que reduz pensões, que corta subsídios inalienáveis, que provoca a falência de milhares de empresas, uma vaga brutal de desemprego, uma fuga para o estrangeiro de jovens com qualificações obtidas à custa dos impostos que todos pagam. Gente sem honra, sem vergonha. Que gente é esta?

Estamos a ficar mais estúpidos. Só isso explica que esta gente, com os seus cérebros onde as ideias só entram rastejando, esteja em posições cimeiras. Os nossos antepassados cavernícolas, não tinham novas tecnologias da informação, mas por certo teriam resolvido o assunto de forma mais expedita.

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