RAPARIGAS E RAPAZES DE LISBOA – ANTÓNIO VIEIRA, UM LISBOETA DE ELEIÇÃO

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No dia 6 de Fevereiro de 1608, nasceu em Lisboa uma criança do sexo masculino a que foi dado o nome de António. Em 1614,Imagem1 tendo o pai do menino sido nomeado escrivão da Relação na Baía, o Antoninho foi para o Brasil com a família. Aluno do Colégio dos Jesuítas na Baía, tem 15 anos quando sentiu o apelo da vocação religiosa. Em 1624, os holandeses, aproveitando o afrouxamento da defesa do território de que os castelhanos davam provas, ocuparam a cidade levando os jesuítas e os alunos a refugiarem-se numa aldeia do sertão. António tem 25 anos quando prega pela primeira vez e em 1635, com 27 anos foi ordenado sacerdote – Mestre em Artes exerce a função de pregador – os sermões deste jovem jesuíta começam a tornar-se famosos – o Antoninho é agora o Padre António Vieira. Restaurada a independência de Portugal, em 1641, parte para Portugal integrado na embaixada de fidelidade ao novo rei do qual se torna amigo e confidente. Prega na Capela Real. Tal como ocorrera na Baía, os seus sermões agitam Lisboa. Em 1643 publica uma “Proposta a El-Rei D. João IV ” onde se declarae favorável aos cristãos novos e apresenta um plano de recuperação económica. O seu prestígio na Corte é crescente – em 1644 é nomeado pregador régio. Em 1646 começa a desempenhar funções diplomáticas – vai à Holanda e depois a França, onde fou recebido por Mazarino.  Emitiu um parecer sobre a compra de Pernambuco aos holandeses e defendeu a criação da província do Alentejo. Em 1649 a Ordem dos Jesuítas ameaçou expulsá-lo, mas D. João IV não autorizou. Vai a Roma, para contratar o casamento de D. Teodósio de Bragança. Primogénito e herdeiro natural do trono,  a sua morte com apenas 19 anos, viria a colocar a coroa na cabeça débil de Afonso VI. Em 1652 partiu para o Brasil como missionário no Maranhão. Em 1654 – Sermão de Santo António aos peixes. Regressou a Lisboa para tentar obter leis favoráveis aos índios. Em 1655  prega o Sermão da Sexagésima. Volta, triunfante, ao Maranhão com as novas leis. Escreve Esperanças de Portugal – V Império do mundo. Em 1661, os colonos expulsaram-no, com os outros jesuítas, do Maranhão.

No ano de 1662, num golpe político, D. Afonso VI foi coroado e Vieira  desterrad0 no Porto e no ano seguinte  para Coimbra; depõe no Santo Ofício sobre Esperanças de Portugal. Escreve a História do Futuro (1664). Adoece gravemente. – 1665: É preso pela Inquisição, depois mantido sob custódia. – 1666: Entrega a sua defesa ao Tribunal; é interrogado inúmeras vezes. – 1667: É lida a sentença que o priva da liberdade de pregar; D. Afonso VI foi afastado do trono. – 1668: É mantido em custódia em Lisboa; é amnistiado, mas impedido de falar ou escrever sobre certas matérias. – 1669 – Chega a Roma, prega vários Sermões que lhe dão grande notoriedade na Corte Pontifícia; combate os métodos da Inquisição em Portugal; defendeu de novo os cristãos novos. – Em 1675 é emitida uma Breve do Papa que louva Vieira e o isenta da Inquisição; regressou a Lisboa e, em 1679 foi publicado o primeiro volume dos Sermões. Em 1681 voltou à Baía e ao trabalho de evangelização. Em  1688 foi nomeado Visitador Geral dos Jesuítas no Brasil. Em 1691, a idade e a doença levaram-no a demitir-se. Em  18 de Julho de 1697 morreu na Baía. Tinha 89 anos. António, nasceu em Lisboa, viveu muito tempo num Brasil ainda ligado a Portugal. É português? É brasileiro? Um rapaz de Lisboa é disputado por duas nações.

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