André Francisco Brun nasceu em Lisboa em 9 de Maio de 1881. Descendente de franceses radicados em Portugal, o pai trabalhava em luvaria, profissão que era uma boa carreira na altura e que ele aspirava para o filho. Não pretendia regressar a França, mas tendo lutado na guerra franco-prussiana de 1870, e aspirando à desforra sobre os alemães, também desejava que André tomasse o seu lugar assumindo essa missão. Este, talvez inspirado pelas leituras de Pierre Loti, após ter feito os seus estudos, quis entrar para a Escola Naval, mas foi rejeitado por falta de vista. Assim entrou para a Escola do Exército, e fez o curso de infantaria. Quando Portugal entrou na Primeira Guerra Mundial, tinha a patente de capitão. Fez parte do Corpo Expedicionário Português que esteve na Flandres, tendo participado com distinção nos combates, sendo promovido a major e recebendo as condecorações Cruz de Guerra e de Valor Militar. Terá assim cumprido a vontade do pai, entretanto falecido. Em 1925, participou na fundação da SECTP – Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses que, em 1970, se passaria a designar por SPA – Sociedade Portuguesa de Autores, dada a abrangência da sua acção.
Entretanto, André Brun dedicou-se à literatura, nomeadamente à de carácter humorístico, pouco praticada na altura em Portugal. Começou a colaborar em publicações periódicas, como os jornais Novidades e Século, a partir de 1907. Anteriormente tinha fundado com outros escritores e artistas o Cenáculo Artístico Águia, onde tinha começado a dar a conhecer os seus escritos, que entretanto reuniu em Dez Contos Em Papel, que terá sido o seu primeiro livro publicado. Sucederam-se-lhe Sem Pés Nem Cabeça, Cada Vez Peor, Sem Cura Possível e outras obras, até Filosofia de Feliz Pevide e os Meus Domingos, estes últimos já na década de 1920. A sua obra humorística é de grande importância, até para se conhecer a vida na época, nomeadamente da pequena burguesia lisboeta. De um modo caloroso e humano o autor dá um retrato do quotidiano, muito importante para se conseguir compreender como as pessoas sobreviviam em Portugal no tempo da Primeira República. Entretanto escreveu várias peças de teatro, sendo as mais conhecidas A Vizinha do Lado (1913) e A Maluquinha de Arroios (1916). Praticou ainda outros géneros literários, como a poesia e a crónica, foi conferencista, mas será de dar relevo às obras ligadas à vida militar como Soldados de Portugal, de carácter histórico, publicada em 1915, e sobretudo A Malta das Trincheiras, de 1918, talvez o seu livro mais famoso, uma visão muito própria da vida dos soldados portugueses que participavam na Primeira Guerra Mundial.
André Brun faleceu a 22 de Dezembro de 1926, prematuramente, cortando-se assim a meio uma grande carreira. São diversas as referências sobre a falta que o seu humor fez, na resistência ao salazarismo. Era casado com a também escritora Alice Ogando, que muito pugnou pela divulgação da obra do marido, contra as dificuldades criadas pela ditadura. Merece bem que hoje o recordemos, como lisboeta ilustre e alegre, que muito estimava os seus concidadãos.
Peço um esclarecimento. André Brun que foi comandante do Batalhão 23 da Figueira da Foz (?), quando no gozo duma licença em Portugal, terá sido, como consta, afastado desse comando e impedido de regressa a França tudo, apenas, por ser apoiante de Afonso Costa? Do Sidónio Pais, um germanófilo, toda a prepotência é de admitir.CLV
Carlos Leça da Veiga, desculpa só agora responder ao teu comentário. Desconhecia o episódio que acima referes. Conheço pouca coisa sobre a vida do André Brun, e não tenho tido oportunidade de fazer uma pesquisa mais aprofundada. Julgo que há poucos elementos disponíveis, mas talvez seja desconhecimento meu. É um assunto a tomar nota.
Peço um esclarecimento. André Brun que foi comandante do Batalhão 23 da Figueira da Foz (?), quando no gozo duma licença em Portugal, terá sido, como consta, afastado desse comando e impedido de regressa a França tudo, apenas, por ser apoiante de Afonso Costa? Do Sidónio Pais, um germanófilo, toda a prepotência é de admitir.CLV
Carlos Leça da Veiga, desculpa só agora responder ao teu comentário. Desconhecia o episódio que acima referes. Conheço pouca coisa sobre a vida do André Brun, e não tenho tido oportunidade de fazer uma pesquisa mais aprofundada. Julgo que há poucos elementos disponíveis, mas talvez seja desconhecimento meu. É um assunto a tomar nota.