O ex-basstonário da Ordem dos Advogados e deputado em funções no PE, Marinho e Pinto, acaba de se suicidar politicamente. Foi ontem, dia da República – em boa verdade, já não há República, por força dos 48 anos de Estado Novo que a reduziram a um cadáver político em putrefação, onde cabem personagens do calibre amoral de um Aníbal, de um PP, de um PC, e de uns quantos partidos políticos mais, que sonham ser poder político, no todo ou em parte, sem nunca chegarem a perceber que ele mata a Política praticada – ao apresentar em Coimbra o seu próprio partido, PDR-Partido Democrático Republicano. No meio de tanto “striptease” político que se propõe fazer contra os outros e a favor do seu próprio, graças ao chorudo salário de deputado do PE e do qual não abre mão, Marinho e Pinto ainda não conseguiu ver o óbvio, concretamente, que todo o poder, também o poder político, é intrisecamente assassino. Servi-lo, num partido já existente, ou noutro criado por ele e mais uns quantos chico-espertos que gostam de comer à mesa de messias/cristos bem-falantes e aparentemente destemidos contra os demais, sem nunca olharem por eles abaixo, é igual a suicidar-se. Nunca o poder é porta de entrada para os seres humanos fragilidade-consciência que o queiram ser de dentro para fora, até à plenitude. Sempre é o assassínio de quantos a franquearem. Quem ontem viu-ouviu, via tvs, Marinho e Pinto a discursar durante quase uma hora, na sessão de apresentação do seu próprio partido, pôde ver-ouvir um indivíduo, sem o brilhozinho nos olhos, próprio dos seres humanos fragilidade-consciência, homens-menino. O que viu/ouviu, foi um homem-poder, só, agressivo, rosto pesado, zangado com todo o mundo, carregado de chaimites nas palavras, nenhum afecto, nenhuma alegria, nenhuma ternura, nenhuma maiêutica. Uma espécie de S. Paulo do judeo-cristianismo primitivo, que veio a superar em poder sobre as mentes-consciências das populações, os respectivos fundadores, Pedro e Tiago. Ou uma espécie de papa Francisco puro e duro, porque sem nada daquele seu enganador sorriso, com que o poder monárquico absoluto da igreja católica romana hoje se apresenta, urbi et orbi, à cidade e ao mundo.