EXPOSIÇÃO “VISITAÇÃO:O ARQUIVO COMO MEMÓRIA E PROMESSA” CONTA A HISTÓRIA DA SANTA CASA DE MISRICÓRDIA DE LISBOA por Clara Castilho

A exposição pode ser vista até 2 de Novembro, na Galeria de Exposições Temporárias da Santa Casa, recentemente requalificada, com entrada pela Igreja de São Roque.

 exp. scml

Diz-nos o site da Instituição:

“A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) desvenda o seu Arquivo Histórico, em “Visitação. O Arquivo: memória e promessa”, com curadoria de Paulo Pires do Vale.

“Visitação: o Arquivo como memória e promessa” cruza elementos do Arquivo com a criação contemporânea. Integram a exposição diversas tipologias documentais que compõem o acervo do Arquivo, destacando-se os sinais dos expostos (documentos que acompanhavam as crianças entregues aos cuidados da Misericórdia de Lisboa).

 Para além dos conjuntos documentais do Arquivo Histórico, vários museus cederam obras para esta exposição, como a pintura de Brueghel, do Museu Nacional de Arte Antiga e a pintura Visitação de Vasco Fernandes, do Museu Grão Vasco, entre outras.

Com uma área de exposição aproximada de 250 m², e ocupando uma zona abobadada seiscentista, a galeria apresenta agora as infraestruturas adequadas não só para a boa preservação das obras expostas como também para a fruição pública. Destaca-se ainda a recuperação da função original de um pátio seiscentista, através do qual se efetuará a entrada na galeria. A intervenção realizada incluiu também acessos para pessoas com necessidades especiais.”

 mmenino abandonado roda dos expostos

Um dos aspectos que mais desperta a atenção é o que se refere às crianças entregues na Roda dos Expostos. Em 1768, o Marquês de Pombal institui esta modalidade – a RODA – com o objectivo de diminuir os infanticídios, ficando adstritas a hospitais ou albergarias de cada cidade (em Lisboa o Hospital de Todos os Santos). Num mecanismo cilíndrico, composto por duas partes, uma côncava e outra convexa, que giravam sobre si mesmas, eram depositadas as crianças cujos pais não podiam ou não queriam com elas ficar.

Muitas vezes iam acompanhados de “sinais” que mais tarde poderiam possibilitar o reconhecimento da criança. Era registada à entrada, assim como tudo o que a acompanhava. Se trazia nome, esse ficava. Caso contrário recebia o do santo do dia. Mas muitas das crianças já chegavam cheias de maleitas, as condições de vida eram precárias, os cuidados com elas reduzidos… e a mortalidade rondavam os 80%! As crianças até aos 3 anos eram entregues a amas a viver no campo, até aos 7 permaneciam em asilos e a partirdaí iam aprender um ofício.

Em 1870, altura da extinção da Roda, havia 2 879 crianças “expostas”; em 1871 havia 1692 crianças “encobertas”; em 1972, 449. E dizem-nos que em 1938 só havia 5 crianças na rua!

Em 1977, decorrentes do Dec.-Lei nº 496/77 foram criados  Serviços de Adopções, tendo a legislação já sofrido várias alterações.

 

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