MALALA, PRÉMIO NOBEL DA PAZ – por VÉRONIQUE HURTADO

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Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

Malala

MALALA, prémio Nobel  da paz

 

Véronique Hurtado, TRIBUNE LIBRE – MALALA, prix Nobel de la paix: pour avoir un QI, il faut pouvoir disposer librement de son Q. – Metamag.fr//

Revista  Metamag, 14/10/2014 

TRIBUNE LIBRE

 

MALALA, prémio Nobel  da paz: para ter um QI, é necessário poder dispor livremente do seu Q.

Desde o dia 10 de Outubro de 2014 que os jornalistas, machos e fêmeas, se interrogam: porque “ela”? É quem, MALALA? O direito das mulheres de disporem  livremente dos seus corpos, por conseguinte, das suas cabeças, contra o direito dos homens de disporem livremente do corpo das mulheres, para e como animais.

É quem, MALALA? É a mulher, em suma, por quem chega  a maior infelicidade  dos homens, a felicidade de ser um QI, e não apenas um Q. A chama da liberdade de ser, ou seja, de poder ser , o poder que derroga e que incomoda, a cultura do QI, da inteligência e da ciência, contra a natureza do  somente parecer, de  “parecer ser”, “ser-se uma mulher” e de nunca mais  ter como futuro outra coisa que não seja  o seu Q.

Malala - II

Porque é necessário escolher, senhores: ou “fornicar”  as mulheres, ou fornicar-lhes   a paz!

No baile dos falsos Q, os papéis abundam e ultrapassam a caixa no qual estão depositados os óculos da glória. Porque a toilete é o vestiário da coqueterie feminina, o lenço bordado e perfumado que uma bela deixa aparentemente esquecido, como um amuleto… ou como  “um fósforo”.

MALALA torna-se o novo emblema  da liberdade das mulheres, mulheres sobretudo muçulmanas, enquanto que por toda a parte no mundo, a  Charia prossegue  tranquilamente a sua progressão negativa e afoga no seu próprio sangue, abominavelmente, as ofensas às  mulheres “vivas/a viverem” que querem ter um QI e não somente um Q. Mas  “chut! ”, nada de ostracismo  e de racismo! Ser solidário, é fazer calar as exacções cometidas contra as mulheres, primeiro contra as muçulmanas no mundo inteiro, em nome da cultura, a cultura muçulmana, a incultura das mulheres.

A mulher inteligente é como  uma água viva que os rapazes perseguem :

[ “Un jour que, sous les roseaux, sommeillait mon eau vive

Vinrent les gars du hameau pour l’emmener captive

Fermez, fermez votre cage à double clé

Entre vos doigts, l’eau vive s’envolera ]

Guy BEART – “L’eau vive”

Malala - III

Oferece-se um preço a uma santa, Santa MALALA, para que se seja  perdoado dos seus pecados “de omissão” e de inacção, rapariga mártir miraculosamente  salva “da masmorra” da história masculina, esta história que permite proibir às outras mulheres de dizerem as suas histórias a elas próprias  e para elas igualmente. Somente  MALALA tem o direito de falar dos casamentos forçados, da desescolarização e da excisão ou acto de exclusão da sua própria  vida sexual, mutilação bárbara ainda praticada hoje em dia na França, em nome da excepção cultural. Qual médico escolar ou “ que (mal)trata” ousa verificar que uma qualquer  rapariga de regresso de uma viagem “ao país” é ainda de sexo feminino, um sexo integral e original, devido à  falta original de ser uma mulher?

À algazarra mediática da atribuição simbólica de um prémio  Nobel da paz a  MALALA, mártir taliban emblemática, corresponde a página já virada de milhares de vidas de outras raparigas sacrificadas em nome da religião muçulmana, numa indiferença quase geral, o silêncio dos bem pensantes: pedofilia  institucionalizada, escravidão sexual e ventres a alugar  como que a  dar vómitos à resistência “feminina”, com disposição mesmo de cortar  a garganta das mulheres que recusam a violação, esta arma de guerra contra a qual assim pouco homens vertem lágrimas, solidários destes “fodilhões” de corpos por  terra e destes “fodilhões” de guerra.

Os ventres das mulheres dão à  luz homens que, depois,  os  desventram. Terem  nascido destas “cadelas” que  eles tratam como cadelas dado que as reduzem  ao estado “de gatunas”,  de putas, será que  os torna mais humanos, a estes cães? Porque de cadelas muçulmanas não podem nascer senão  cães muçulmanos, unidos às mesmas cadeias, as do ódio contra o sexo feminino.

Hipócritas que atribuem um prémio  Nobel da paz a  MALALA, mas deixam que no mundo inteiro o mal triunfe  sobre o bem, deixam que  mulheres sejam violadas e mortas todos os dias sob os vossos olhos, porque estes crimes e estes assassinatos não se cometeriam sob os vossos céus! Que pensam então?

Poder comprar-vos de novo uma consciência, ou antes, “um bom comportamento”? Que a vida é como uma carta de condução sujeita  a pontos e que basta reconhecer os seus erros uma só vez para que se possa limpar essa “carta de condução”,  para recuperar todos os pontos? Raciocínio inadmissível, enquanto os Curdos apelam à  ajuda e que os muros de Kobané, cidade condenada, vão cair. Cair sob as vossas terríveis bombas ou cair sob os crimes imperdoáveis do Estado Islâmico?

A paz, é olhar para os outros e deixar-se  matar? Oh, perdão, a miséria, mas que miséria! Quero dizer “o Daesh” (acrónimo de Estado Islâmico do Iraque e Levante-ISIL) ou “o Daech”, (o que é equivalente) com a sonoridade árabe , por favor, história de lambe-botas aos seus chefes, como os comentadores políticos e os jornalistas, enquanto que a História do mundo se termina tragicamente, sob os olhos de vendedores de armas que se regalam a lamber os beiços  de ver tanto sangue e tantos horrores imundos! Oh, este desespero dos povos, a esperança destes imorais  Banksters.

Constroem mesquitas em  França, aqui onde  habitam, num país onde já não haverá lugar para as mulheres, dado que  nos planos destas mesquitas, planos que se aceitaram e que se continuam a aceitar,  já não há  lugar para elas  e tudo isto  em nome da excepção cultural  “muçulmana”. Não será antes que se estão nas tintas e que estão a gozar da situação das mulheres?  E de MALALA?

O vosso país dos Direitos do Homem, a França, carrega efectivamente bem o seu nome hoje, um país  onde o direito das mulheres regride diariamente e cada vez mais, em nome de uma esperança religiosa que é mantida como um viveiro  nacional de votos nas eleições. A vossa covardia a intervir no espaço público,  em nome da liberdade “religiosa” das mulheres a serem submetidas elas próprias  aos homens machistas, por conseguinte sexistas, como se tratava de proibir jogos SM (sado-masoquistas), confundindo Q e QI, tanto o vosso nível intelectual está situado a um nível ridiculamente baixo, esta covardia meteria dó, se não houvesse esta necessidade de se ter  de  defender uma igualdade francesa, homem-mulher, assim como  a necessidade de não perder uma identidade homem-mulher: o direito de ser uma mulher, num corpo de mulher, mesmo no meio de um mundo de homens, sem ter que se  esconder, com o medo de que estes se zanguem, se sintam envergonhados .

A mulher vai tornar-se, não o futuro do homem, mas, isso sim,  vai-se colocar em situação de fortemente exposta aos homens, a procurar arrancar o seu  espaço vital, porque faz “o trabalho sujo”, “puta” ou “vaca”? À luta e à  coragem de MALALA, o que é que respondem os senhores, os homens da religião, em  França? Porque se ousássemos escrever sobre a Arábia Saudita (!), o país da mulher livre, fariam uma qualquer outra  história, os nossos homens de Estado.

Que problema, que questão? Mas uma questão  de Estado, “injustamente”, e de muito dinheiro! Seria como fazer reabrir a caixa de Pandora  por uma nova  Lilite[1], igualmente coquete, primeira mulher que esteve na  origem de todas as revoltas femininas, colocando por cima o que está por baixo no nosso planeta “envenenado pela cicuta” povoado de homens. No entanto, aquela que eles adoram, é  efectivamente a pálida Lilite e o seu corpo de mulher, este corpo que ela  faz vibrar à cem mil volts, mas que não dá senão àqueles   que lhe perdoam que tenha “uma cabeça” maldita, quando ela muda de posição e se entrega  “ao mal”  tão macho.

Imagem no início do texto: Malala, Prix Nobel de la paix

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Ver o original em:

http://metamag.fr/metamag-2343-TRIBUNE-LIBRE-MALALA–prix-Nobel-de-la-paix–pour-avoir-un-QI–il-faut-pouvoir-disposer-librement-de-son-Q..html

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[1] Segundo Wikipédia,  Lilite ( comumente o anglicanismo Lilith) (em hebraico: לילית) foi uma deusa adorada na Mesopotâmia associada com ventos e tempestades e que se imaginava ser portadora de doenças, enfermidade e morte..

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