EDITORIAL: A Catalunha sob o foco mediático

Imagem2Temos aqui referido com frequência a questão das nacionalidades peninsulares – na nossa Península há apenas dois estados, mas um deles é composto por várias nações, quatro mais visíveis e com idiomas e culturas diferentes. Portugal é o único estado/nação da região peninsular e um dos poucos países europeus  que pode ostentar tal condição. Constituído quase nove séculos, tem mantido as mesmas fronteiras, com pequenas alterações. A Galiza, o País Basco, a Catalunha, não puderam furtar-se à codícia castelhana e foram caindo nas malhas que o império teceu – política de casamentos, tratados e, quando não foi a bem, foi a mal – ofensivas militares.

Depois de uma política independentista basca, muito baseada num terrorismo que tornou as reivindicações dos bascos impopulares e funcionou como argumento a favor do centralismo castelhano, temos agora a Catalunha a pretender, de forma civilizada, a procurar seguir o seu destino, dizendo adeus a Espanha. Todos os mecanismos têm sido accionados por Madrid. A secessão é anticonstitucional e, como tal, o referendo que os catalães pretendiam levar a cabo, não pode fazer-se. Joga o poder central com as divisões políticas, sociais, culturais, entre o povo catalão – para um operário da construção civil, para um professor, para um banqueiro, o catalanismo tem significados diferentes. O anseio pela independência, sendo comum, é vivido de formas diferentes.

E nós, portugueses, como encaramos o problema das nacionalidades? Com uma desconfiança atavica, dizemos que de Espanha, «nem bom vento nem bom casamento». Ventos e casamentos, há-os bons e maus; mas dos nossos vizinhos, chegam-nos coisas boas – música e literatura de grande qualidade, boa comida… É um privilégio ter por vizinhos galegos, extremenhos, andaluzes, catalães, bascos… Mas não seria justo que, aquilo que defendemos para nós – o direito de ser independentes e de não ser aculturados, fosse válido para todos?

 

 

 

 

1 Comment

  1. Todo e qualquer português não pode defender outra coisa que não seja a Independência de cada Nacionalidade. Em boa verdade Portugal é uma Nação/Estado e não um Estado/Nação. O facto notável dos portugueses terem conseguido manter a sua Independência – por muito formal que tenha sido e esteja a ser – deve constituir-se na sua doutrina sobre o Direito Internacional face ao critério mais contemporâneo da defesa intransigente da Democracia. O discurso português na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas tem obrigação de instigar todas as Nacionalidades a baterem-se pela sua Independência mas fazê-lo no quadro internacional duma constante interdependência.

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