Inserido no Lisbon & Estoril Film Festival, no Centro de Congressos do Estoril, teve inauguração no dia 7 Novembro e estarão patentes até dia 16 duas exposições.

A exposição “Here & Now”, coloca em paralelo os universos destes dois artistas. Sendo este um festival que estimula as relações do cinema com as restantes disciplinas artísticas, este encontro entre o realizador David Lynch e o artista Jean-Michel Alberola surge com uma pertinência muito particular.
Depois da estreia, em 2009, da sua última longa-metragem, Inland Empire, poderíamos dizer que David Lynch se afastou do cinema e multiplicou as suas actividades artísticas e educativas. Dedica-se, já há alguns anos, à divulgação da meditação transcendental através da Fundação David Lynch, ao apoio ao comércio justo, ao design e à música, mas também às artes visuais: fotografia, pintura e litografia.
Jean-Michel Alberola, reconhecido como um dos mais importantes pintores franceses, também desenvolve diversas actividades artísticas. Desde a década de 80 que trabalha com vídeo e em 2009 realizou o filme Koyamaru, l’hiver et le printemps / l’été et l’automne. Este documentário, realizado ao longo de três anos numa vila rural japonesa, será apresentado na secção CinemArt do festival.
O encontro destes dois artistas acontece num momento em que o realizador se dedica às artes visuais e o artista visual se dedica às artes cinematográficas. Os dois artistas têm em comum o trabalho de litografia no atelier de impressão Item, em Paris, que os levou a desenvolver uma relação artística e intelectual. Em 2011, criaram duas litografias a “quatro mãos”, intituladas “Application of the Equivalence Principle” e que foram exibidas na exposição “Mathematics, A Beautiful Elsewere”, na Fundação Cartier.
A exposição “Here & Now” apresenta diversas obras de Alberola – artista famoso por ter recriado de um modo novo a figuração na arte contemporânea -, e uma série de litografias de David Lynch (algumas inéditas), – cineasta conhecido por transformado a sétima arte e por ter moldado o olhar de uma nova geração de cineastas.
O Lisbon & Estoril Film Festival propõe um duplo acontecimento, levando-nos a descobrir Alberola enquanto cineasta e Lynch enquanto pintor. No cruzamento de dois estilos distintos: o mundo de Alberola, organizado e colorido, integrando o texto na imagem sob a forma de reflexões fulgurantes, e o universo pictórico de David Lynch, escuro, mais solto que a estética meticulosa dos seus filmes e representando um universo poético de pesadelo.
As suas duas litografias, “Application of the Equivalence Principle”, serão como uma ponte entre os dois mundos.
Jean-Michel Alberola é um artista visual francês, nascido em 1953, em Saïda (Argélia), que vive e trabalha em Paris. É um dos pintores mais conhecidos e respeitados da cena artística contemporânea. Alberola afirma “não saber para onde vai”; o seu trabalho é um trabalho de pesquisa e de experimentação permanentes.
Os seus quadros, murais e instalações incorporam a escrita na imagem, sob a forma de reflexões marcantes (“La sortie est à l’intérieur”, “La pauvreté est une idée neuve en Europe”). Desde a década de 80 que trabalha também com o vídeo, e tornou-se realizador com uma longa-metragem, o dípticoKoyamaru, l’hiver et le printemps / l’été et l’automne, um documentário filmado ao longo de três anos, numa aldeia no interior rural do Japão, estreado em sala em 2009.
O seu trabalho com a litografia levou-o a estabelecer uma relação com o realizador David Lynch. Os dois colaboraram na exposição “Mathematics, A Beautiful Elsewere”, na fundação Cartier, com duas litografias a “quatro mãos”, intituladas “Application of the Equivalence Principle”, que integrarão a exposição “Here & Now” na 8ª edição do Lisbon & Estoril Film Festival.
Depois de inúmeras exposições em França e no estrangeiro, J-M Alberola prepara agora uma retrospectiva da sua obra no Palais de Tokyo, em Paris.
David Lynch Descobrimo-lo pelo cinema, numa obra ímpar que, entre longas-metragens que vão de Eraserhead a Inland Empire, passando por algumas curtas, experiências para o pequeno ecrã e filmes-concerto, definiram uma personalidade vincada e construíram um universo de culto que, em vários momentos, chegou aos patamares do grande público. Os últimos anos viram-no a afastar-se do espaço por detrás das câmaras que fez do seu nome uma referência mundial, apostando antes em recentrar da sua produção artística entre a música (uma reconhecida paixão antiga) e as artes plásticas onde, de resto, começou o seu percurso, ainda nos anos 60.
A edição deste ano do Lisbon and Estoril Film Festival vai dar-nos precisamente duas oportunidades de confronto com estes caminhos mais recentes da sua obra, apresentando uma exposição de litografias de Lynch num diálogo com o artista Jean-Michel Alberola (duas delas a “quatro mãos”) e um filme-concerto que realizou para os Duran Duran que, com o título Duran Duran Unstaged, foi até aqui apresentado somente no contexto da edição de 2013 do Festival de Cannes e no MoMA (em Nova Iorque).
Se foi ao estudar pintura que descobriu o cinema, foi num regresso à pintura que reencontrou o gume da continuação da sua obra depois de anos com sucessivos projetos no cinema. Num ensaio sobre a obra de Lynch na pintura Roberto Cozzolino explica que Lynch é um artista que usou o cinema como parte da sua expressão. E defende que os filmes são inseparáveis da sua obra como artista plástico, vendo-os como obras que decorrem de uma sensibilidade sobre noções de composição, textura, relações formais e o modo como os temas são amplificados pela sua apresentação num estilo específico.
Exposição “Malkovich, Malkovich, Malkovich: Homage to Photographic Masters”
O LEFFEST assegura a estreia mundial da exposição Malkovich, Malkovich, Malkovich: Homage to Photographic Masters, da autoria do fotógrafo Sandro Miller e uma das mais faladas do ano na área da fotografia.
A exposição consiste numa série de fotografias em que o actor John Malkovich se transforma em figuras famosas, desde Einstein a Marilyn Monroe. A intenção de Sandro Miller é prestar homenagem a algumas das imagens que o influenciaram enquanto fotógrafo, escolhendo Malkovich como o actor camaleónico capaz de estar à altura do desafio.
O LEFFEST fará a estreia mundial desta exposição, em simultâneo com Chicago. O actor estará presente na inauguração em Portugal.
A exposição estará patente no Casino Estoril, a partir de dia 7 de Novembro e até ao fim do Festival.
