PEDIDO DE DIVULGAÇÃO
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Texto do escritor Anto Affonso
(também, no grupo de sócios do facebook)
PARA CONHECIMENTO E DIVULGAÇÃO AOS MEMBROS DA APE, JUNTO ENVIO IMAGENS DA PEÇA DE TEATRO, CARTAZ E CONVITE, PARA O EVENTO A OCORRER NO DIA 11 DESTE MÊS NO ÂMBITO DAS COMEMORAÇÕES DOS 5OO ANOS DO FORAL DE BRAGANÇA.
SAUDAÇÕES LITERÁRIAS
António Afonso
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Ver também:
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Apresentação da obra
Muito boa noite a todos.
Quero agradecer em 1º lugar a vossa presença amiga e cumprimentar a Srª Vereadora do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Bragança e o Sr Vice- Presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes. Obrigado também.
Trazemos à luz do dia mais uma peça de Teatro, hoje apresentada no evento “ Artes e Livros “, que durante os próximos dias, ocorrerá em iniciativa conjunta, da Câmara Municipal de Bragança e a Academia de Letras de Trás-Os-Montes.
Sendo a minha 5ª obra neste género literário e esperando que um dia seja também levada à cena, a peça “ EFÉMERA GLÓRIA D’EL EY SEM TRONO “, é também a 1ª peça de Teatro, da Editora “ Lema d’Origem “, a quem agradeço desde já na pessoa do seu Editor, aqui presente, o interesse manifestado.
Pelo apoio concedido à sua publicação, os agradecimentos são também extensivos ás seguintes entidades:
– ao Arquivo Nacional da Torre do Tombo, pelas imagens concedidas do Tratado de Babe, como forma de agradecimento à Associação Bragança Histórica pelo restauro mandado por si efectuar ao Tratado e que esta patrocinou, através dos seus escassos meios.
Devido ao mau estado de conservação do Tratado, e não permitindo o seu manuseamento, eram necessárias operações urgentes de higienização, hidratação, planificação e consolidação, que garantissem uma boa captação de imagens, para sua posterior utilização. Postos perante tal facto, a Associação logo se disponibilizou a assumir perante o Arq. Nac. Torre Tombo, o seu restauro.
A intervenção cultural e cívica da Associação Bragança Histórica permitiu assim, recuperar este documento e que fosse descoberto na mesma ocasião, com surpresa de Directores e técnicos da Torre do Tombo, um outro exemplar do Tratado, semelhante ao primeiro, na cota Gaveta 18, maço 3, nº 26, até então nunca catalogado, ou referenciado em qualquer documentação.
Após breves estudos, aqueles técnicos concluíram que se tratava da versão em Castelhano, do Tratado de Babe, mas em melhor estado de conservação, pois conservava ainda os pequenos sacos de couro com os respectivos selos, do tratado celebrado em Babe.
Numa declaração solicitada por nós ao Arquivo Nacional da Torre do Tombo, este organismo declara em 24 de Maio de 2011, e citando “ a participação da Ass. Bragança Histórica, muito contribuiu para boa prática de cidadania, redundando na preservação da memória histórica, presente em documento de interesse colectivo “. Fim de citação.
As imagens de alta qualidade, fazem agora a capa e contracapa do livro editado.
Contudo, não posso deixar de dar uma palavra de agradecimento à Srª Directora do Museu Abade de Baçal, Drª Ana Maria Afonso, pela ajuda prestada acerca desses elementos tão úteis e necessários à localização desse histórico documento, cota Gaveta 18, maço 3, nº 26, dado nada existir no ANTT, conhecido com aquele nome.
Foi assim possível localizar o Documento existente, não com o nome de Tratado, mas com o nome de : CARTA DE DOAÇÃO FEITA PELO REI D.JOÃO DE CASTELA E A RAINHA D. CONSTANÇA, SUA MULHER, AO REI D.JOÃO I DE PORTUGAL DE TODO O DIREITO QUE TINHAM EM PORTUGAL.
A colaboração cultural entre todos, é pois salutar e dá os seus frutos.
Obrigado Dra. Ana Maria Afonso.
Tem sido assim a nossa acção.
Buscar e preservar as memórias que nos pertencem, e de que tanto nos orgulhamos, como transmontanos.
Não posso deixar de agradecer também, à Junta de Freguesia de Babe, bem como à Academia de Letras de Trás-Os-Montes, o apoio concedido à publicação desta obra.
Ela surge também como uma realização há muito projectada, e que era a todos os títulos, exigida.
Desenvolvendo em várias vertentes um projecto cultural, com apoio mitigado da Câmara Municipal de Bragança, a Associação Bragança Histórica entretanto criada em 2006, vem percorrendo há vários anos o caminho da História Local, através da divulgação pelo Teatro, de factos Históricos de relevo, relacionados com Bragança e Região, sendo alguns deles de importância histórica nacional.
Assim, tem sido nosso objectivo, pesquisar factos relacionados com a nossa memória colectiva, e trazê-los até à actualidade.
Permitam-me que de passagem, refira em breve historial, as peças levadas já à cena com assinável êxito e perante centenas de espectadores, no Castelo de Bragança, pelo Grupo de Teatro da Asso. BH.
Após a publicação “ A Lenda da Torre da Princesa “, representada em 2005, seguiram-se outras peças representadas pelo Grupo de Teatro, algumas integradas na “Festa da História”, evento entretanto criado pela Câmara Municipal:
– “ Inês, Inês…! – O casamento secreto de D. Pedro e D. Inês de Castro “ em 2007.
– “ Julgamento e Morte do III Duque de Bragança “ em 2008.
– “ Ascensão e Glória de D. Mendo Alão “ em 2009.
– “ O Braganção Mendo Alão e o Rapto da Princesa da Arménia “ em 2010.
Desde a sua longínqua origem, Bragança tem desempenhado um papel importante como cabeça de uma região que se estende até ao rio Douro, e ao longo de séculos, sido detentora de forte influência política, constituindo por si só, inesgotável fonte de inspiração literária.
Apenas como curiosos da História, e do nosso passado histórico, temos procurado complementar a História, através da recriação de peças assentes em factos desconhecidos ou pouco conhecidos do grande público.
Preparando elencos de dezenas de actores de teatro amador, e figurantes de todas as faixas etárias, pudemos contar também, nas últimas edições, com a participação de elementos de grupos de Teatro de Zamora.
Consideramos ainda, que apenas se pode escrever boa ficção a partir de fontes credíveis, e de uma muito cuidada interpretação da História.
“ EFÉMERA GLÓRIA D’EL EY SEM TRONO “ , é apenas uma pequena peça de teatro, que assentando em factos verídicos, se desenvolve a partir da pretensão de John of Gaunt, Duque de Lencastre, ao trono de Castela e Leão.
Com exército numeroso e desembarcando com milhares de homens na Corunha, John of Gaunt estava convicto, de que pela força das armas, faria impor a sua pretensão, ao trono de Castela e Leão.
Por tratado celebrado anteriormente em Windsor, e após o seu casamento com D. Filipa de Lencastre, seria envolvido nos factos o Rei D. João I, a braços entretanto com a guerra pela independência de Portugal.
Reunidos os 2 exércitos em Babe, o de D. João I, capitaneado por Nuno Álvares Pereira, Condestável do Reino, e também o do próprio Duque, intitulando-se já, Rei de Castela e Leão, este nobre inglês abdicava através de um acordo, de qualquer direito que no futuro viesse a ter sobre a Coroa de Portugal, como consta do próprio texto do Tratado, preparando assim a invasão de Castela.
Embora não tivesse efeitos políticos dignos de nota, a Carta de Doação ou Tratado de Babe, constituiu motivo de inspiração suficiente para a concepção desta peça.
Por força da posição privilegiada que ocupava na hierarquia do reino de Inglaterra, a ambição deste nobre inglês, nunca o impedia de tentar anexar imensos territórios, alguns dos quais provenientes dos vários casamentos realizados.
Para além dos inúmeros castelos residenciais, espalhados por toda a Inglaterra, Escócia e Aquitânia, muitos deles servindo de centros agrícolas, e concentrando neles inúmeros rendeiros, lenhadores, caçadores e camponeses, permitiam ao Duque de Lencastre, sustentar mais de três centenas de pessoas ao seu serviço, e obter para a época, invulgares níveis de vida à família e clientela, rivalizando com os seus pares, em riqueza e poder.
Referiria apenas a título de curiosidade, que nesta expedição com objectivo de fazer a guerra, John of Gaunt, se fazia acompanhar da sua imensa corte de criadagem, mulher e 3 filhas, não abdicando de algumas mordomias e alguns luxos, como baixelas de prata, tapeçarias, serviços de louça em faiança e porcelana, bem como de outros utensílios do quotidiano da sua imensa riqueza. Não se esqueceu também de trazer na comitiva, a mais célebre cozinheira da época em Inglaterra.
A oportunidade para invadir Castela, era pois única, e um meio para concretizar os seus planos expansionistas. Não só, sob ponto de vista político, mas também sob ponto de vista pessoal.
No entanto, o Tratado celebrado em Babe, onde John of Gaunt, declarava abdicar de qualquer direito sobre a Coroa de Portugal, ficaria automaticamente esvaziado, ao ficar estabelecido através de negociações, o casamento de sua filha Catarina, com o filho herdeiro do Rei de Castela.
Ficava assim e indirectamente, resolvido o problema da sua pretensão ao trono daquele Reino.
A sua missão estava assim cumprida, e regressaria a Inglaterra, levando consigo um exército sem ter travado algum combate, mas dizimado pelas doenças, fome e cansaço, e em que tinham sido gastos avultadas somas de capital e aplicados fortes financiamentos da família.
Deixava contudo 2 filhas casadas na Península Ibérica, D. Filipa de Lencastre, com D. João I, e D. Catarina com o futuro Henrique III de Castela.
Muitos outros factos há, dignos de inspiração literária.
Sendo a Ficção, um género complementar do nosso imaginário, é a Arte Cénica o seu veículo por excelência, tornando-a em nosso entender, culturalmente necessária.
Através do seu processo criativo, a Ficção transporta-nos no Tempo, tornando-se fisicamente presente, e ferramenta da nossa memória colectiva.
Factos longínquos e esquecidos pelo Tempo e pelos Homens, permitem à imaginação do autor de Ficção, recriar e abordar épocas recuadas e recordar personagens, cujo papel foi por vezes determinante, no percurso da História.
Consideramos que a Ficção, associada à História, não resulta em seu descrédito, muito antes pelo contrário, complementando-a e recriando-a, ajuda a explicar a própria História.
Contudo, o texto deve ser bem estruturado, as personagens deverão ter semelhança com a vida real, e o leitor deverá ser seduzido, envolvido e tornado cúmplice.
A interpretação dos factos, e a dedução lógica, permitem à Ficção Histórica, obter uma fonte inesgotável de possibilidades artísticas e literárias.
Inclusivé, ela pode desempenhar um papel libertador na compreensão das realidades contemporâneas.
Povo, que não conheça o seu passado, não pode ter esperança, no seu futuro.
E um Povo, dotado de consciência histórica e conhecedor do seu passado, é um Povo menos vulnerável à propaganda insidiosa, e ás seduções, de alguns salvadores de pátrias.
Muito obrigado a todos pela vossa presença.



