Portugal parece estar a mergulhar cada vez mais fundo na crise. O governo continua a sua agenda de privatizações, com os efeitos que se conhecem. O caminho que a PT tomou deriva obviamente de ter sido privatizada, e entregue aos jogos financeiros que campeiam pelo mundo fora. A seguir vai entrar a TAP nesse abismo sem fundo, e não custa prever que o seu caminho ainda vai ser pior. A sua estratégia futura não vai ser formulada em função dos interesses dos portugueses, não custa prever. Os seus serviços vão ser transferidos para outros países, as suas rotas serão traçadas olhando cada vez mais a interesses que não os dos nossos compatriotas emigrados ou que não dão prioridade às relações de Portugal com os outros países lusófonos. Para dar uma resposta aos defensores da economia de mercado, que parecem ser defensores deste programa de privatizações, vai ser mais um prego no caixão da marca Portugal.
Noutros campos o panorama parece igualmente agravado. O surto da legionela estará a diminuir de intensidade, segundo o que dizem as entidades, mas continua-se a aguardar uma explicação cabal sobre as condições em que surgiu. Afinal a bactéria está identificada há anos no país, têm aparecido casos de doença provocados por ela todos os anos, e pergunta-se: este surto não poderia (deveria) ter sido prevenido? Porque deixaram de ser obrigatórias as auditorias à qualidade do ar em edifício climatizados? Entretanto, o surto está a ser usado para tentar impedir a greve dos enfermeiros, declarada a partir de hoje (link para pré-aviso de greve a seguir).
Entretanto, as autoridades judiciais lançaram uma operação de combate à corrupção (ouve-se falar em peculato, branqueamento de capitais, e outros crimes) em situações relacionadas com os vistos gold. Foram detidos vários funcionários de elevada craveira. Não é de modo nenhum exagerado falar em responsabilidades políticas neste caso. Como também não o é pedir responsabilidades nas outras situações referidas acima.