Parece que Évora já existia antes da ocupação da península pelos romanos. Faltam achados arqueológicos que o comprovem, mas para o nome latino Ebōra, que aparece na Naturalis Historia de Plínio o Antigo, ou Épura, que aparece em Ptolomeu, Leite de Vasconcelos admitia a origem céltica (vejam o Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa do José Pedro Machado). Entretanto ao longo dos séculos Évora teve períodos de esplendor e períodos de declínio, como aliás acontece com todas as cidades com uma longa história. No século XIII aqui viveram muito tempo D. Dinis e Afonso IV, construiu-se a Catedral e começou-se a Cerca Nova. A partir de D. João I, até à chegada dos Filipes, Évora foi a segunda cidade do país, ultrapassando Coimbra em importância. Em 1559 foi criada a Universidade, que depois foi encerrada em 1759, duzentos anos passados, quando do banimento dos jesuítas. Entretanto, quando a dinastia de Bragança subiu ao trono, em 1640, os reis passaram a preferir o solar de Vila Viçosa para residência.
Após o 25 de Abril de 1974, as câmaras municipais de várias capitais de distrito lançaram programas de revitalização das suas cidades, que não terão tido sucesso mais evidente devido às infelizes políticas dos sucessivos governos nacionais, particularmente do actual. Estes não deram a devida prioridade ao desenvolvimento do interior do país, com os resultados que se conhece. Évora terá sido parcialmente uma excepção, devido à bem sucedida política desenvolvida pela sua autarquia, apoiada pela população, de recuperação do valiosíssimo património histórico da cidade, prova do seu importante papel no passado, e de melhoria das suas condições urbanísticas. Esta política teve pontos altos em 1979, quando o Instituto Universitário, criado em 1973, deu lugar à Universidade, e nomeadamente em 1986, com a classificação de Évora pela UNESCO como património universal. Um melhor desenvolvimento do Alentejo, muito afectado pelas políticas dos governos nacionais acima mencionadas, que inclusive não permitiram que avançasse uma reforma agrária bem orientada, indispensável ao progresso da região, e a continuação da valorização do património cultural e urbanístico da cidade (a este respeito vejam os posts do Moisés Cayetano Rosado, já publicados esta manhã) são indispensáveis para que o esforço feito continue a surtir efeito. E hoje, dia 1 de Dezembro (que deixou de ser feriado por decisão do governo Passos/Portas, apesar da sua enorme importância histórica), em que se recorda a Revolução de 1640, que nos devolveu a independência nacional de facto, há razão redobrada para falarmos de Évora, que deu um contributo tão grande para a nossa liberdade. Leiam daqui a pouco, às 16 horas, “As Alterações de Évora”, do Joaquim Palminha Silva, sobre a revolta do Manuelinho, em 1637, e recordem o papel que a cidade desempenhou na Guerra da Independência, que duraria até 1665.